Tenho um túnel do tempo na minha casa, é a janela da sala. Dela consigo ver uma escola pública muito parecida com o colégio onde estudei na década de 80, o Caldas Júnior, no bairro Petrópolis, em Caxias do Sul. Muitas vezes me pego pensando nos meus anos de estudante no Caldas. Aprendi muito, fiz amigos que nunca se afastaram, praticávamos esportes, principalmente futebol, vôlei e handebol. Aproveitávamos o recreio para a prática esportiva. Não gostávamos de dias de chuva, porque o pátio não tinha cobertura. Então nossos recreios eram num salão fechado. A escola ao lado da minha casa tem uma quadra sem cobertura, muito parecida com a do Caldas nos anos 80. E agora eles estão fazendo uma rifa para poder construir um telhado. Quanto será que custa um telhado? pensei. Menos de 20% do que recebeu num mês um desembargador. Apenas uma pessoa no Tribunal de Justiça de Minas Gerais recebeu em um mês R$2,2 milhões ( salário mais penduricalhos). A ex-juíza que, na tribuna do STF, reclamou das condições salariais da elite do serviço público seria bem vinda na escola para conhecer o Brasil real. Todos os tribunais brasileiros consumiram mais de R$92 bilhões no ano passado. A torneira do Congresso também está aberta. Recentemente, a Câmara aprovou o aumento da verba de gabinete a que cada deputado têm direito : de R$31 mil para R$50 mil por mês. E a cota parlamentar de R$133 para R$155 mil por mês. Esses são os mesmos que no ano passado aprovaram a PEC da blindagem e neste ano vão ter R$4,9 bilhões para gastar com campanha eleitoral. Enquanto isso, a escola ao lado da mesa da casa continua sem telhado . Infelizmente, no Brasil a educação não é prioridade.

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