Virginia Fonseca tinha um ano de idade quando Tatiana Sampaio começou a fazer a pesquisa de uma substância, que 25 anos mais tarde, se tornaria fundamental para a saúde mundial. Nesses 25 anos, Virgínia foi notícia nacional três vezes: uma quando se separou de um cantor sertanejo, outra quando ocupou a mesa da CPI das bets no Congresso e por fim ganhou as manchetes dos sites de fofoca quando começou a namorar o jogador de futebol Vini Jr. Sem alarde e com muita discrição, característica dos pesquisadores, Tatiana manteve a disciplina de aprofundar sua pesquisa sobre a polilaminina, que ainda precisa aprovação da ANVISA para ser usada comericalmente. Na semana passada, o presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA) , Gabriel David, disse que “Não há mulher mais relevante do Brasil como Virgínia”. Confesso que essa declaração absurda não me surpreende. O Brasil é acostumado a desdenhar dos grandes feitos e valorizar picuinhas e fofocas. Vamos pegar alguns exemplos. O padre gaúcho Landel de Moura e o italiano Guglielmo Marconi descobriram o rádio quase ao mesmo tempo, mas como os países europeus investem mais em pesquisa, a patente foi registrada lá. Com Santos Dumont aconteceu algo parecido. Ele leva o título de inventor do avião junto com os irmãos Wright. Mas o voo do 14-bis foi em Paris, não no Brasil. E o jovem Santos Dumont tirou dinheiro do próprio bolso para financiar a empreitada. O Brasil nunca ganhou o prêmio Nobel e não por falta de mentes brilhantes. O problema central é a valorização – inclusive monetária dessas mentes. Virginia tem contrato milionário para fazer propaganda de bet. Tatiana pagou ela mesma a patente da polilaminina porque o governo cortou recursos para pesquisa. A pesquisa da Tatiana fez, até agora, seis tetraplégicos voltarem a andar. A polilaminina é uma descoberta de alcance mundial. Ainda não sei e talvez nunca encontre razão para o que disse o presidente da Liesa sobre Virginia. Pra mim, ela é absolutamente irrelevante. Mas o mais chocante é que o país ainda vai valorizar mais a Virgínia em detrimento da Tatiana. Triste realidade







