A universidade mais antiga do mundo fica em Bologna. Fundada em 1088, ela é um templo da sabedoria mundial. São egressos de lá os famosos escritores Dante Alighieri e mais recentemente Umberto Eco. No século XIX, se formou na faculdade de engenharia um jovem chamado Guglielmo Marconi, que mais tarde inventou o rádio. Papas e políticos com grande projeção mundial também se formaram lá, como o ex-primeiro-ministro, Romano Prodi. A universidade de Bologna é pública. Ser pública ou privada não faz a menor diferença. Marconi era fascista, já Umberto Eco era de esquerda e anti-fascista. Certamente, não foi na universidade que os dois desenvolveram sua ideologia. Digo isso porque dias atrás, um leitor me escreveu perguntando se eu tinha estudado em universidade pública, pois meus textos indicavam isso. Confesso que fiquei pensando alguns minutos antes de responder. Nunca havia refletido sobre isso. Não, estudei em universidade privada/comunitária (UCS), paguei com o dinheiro do meu próprio bolso, respondi. Entendi o que ele estava insinuando pela resposta. “Teu textos são muito críticos a políticos de direita, por isso achei que tu tinha estudado em universidade pública”. Rotular um jornalista pelo caráter da universidade que ele frequentou é uma das maiores aberrações que já tive o desprazer de ouvir. Infelizmente, algumas pessoas não entendem a função do comentarista de política. E isso vale também para petistas. Muitos vêem o jornalista como inimigo. Para eles, a imprensa deveria ser um braço do estado e só bajular o presidente de plantão. Em Cuba é assim, o jornal oficial do governo reproduz apenas notícias favoráveis ao regime. E isso não é o que vão encontrar aqui.
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