Post: “O Agente Secreto” lidera indicações brasileiras nos Prêmios Platino Xcaret

Filme de Kleber Mendonça Filho acumula oito indicações, marcando a força e diversidade do audiovisual brasileiro no cenário ibero-americano

 

Há algo de novo e inquietante no ar do audiovisual ibero-americano. Não é apenas a consagração de obras, mas a disputa por narrativa, identidade e espaço simbólico. E, nesse tabuleiro em ebulição, o Brasil já não ocupa a periferia. Ele avança, tensiona e, sobretudo, provoca.

A presença robusta do País na XIII edição dos Prêmios Platino, com os indicados revelados nesta manhã, não é coincidência, é sintoma. “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, lidera com oito indicações e carrega consigo mais do que mérito artístico. Traz a pulsação de um cinema que se recusa a ser domesticado. Ao lado dele, títulos como “Manas”, “O Último Azul”, “O Filho de Mil Homens” e o documentário “Apocalipse nos Trópicos” desenham um mosaico de um Brasil múltiplo, inquieto, político, sensorial.

Mas o dado mais provocador não está apenas na quantidade de indicações, dentro das categorias que compõem os Platino. Está na natureza delas. O Brasil não aparece apenas em categorias periféricas. Disputa direção, interpretação, roteiro. Ou seja, o coração da linguagem audiovisual. Isso revela uma virada silenciosa. Já deixamos de ser exóticos para nos tornarmos centrais.

E há uma camada ainda mais profunda. As séries brasileiras, historicamente subestimadas, começam a ocupar um espaço mais consistente, com as indicções tidas neste e em outros anos dos Prêmios Platino. Neste 2026, “Angela Diniz: Assassinada e Condenada” e “Beleza Fatal” mostram que o País também compreendeu o jogo das plataformas e da serialização, um território estratégico na disputa global por audiência.

A Grande Gala deste ano acontece no dia 9 de maio de 2026, no Grand Teatro do Xcaret, na Riviera Maya, no México, local paradisíaco e que está dando espaço cada vez mais para apoio ao cinema ibero-americano. Não é por nada que a atriz Salma Hayek decidiu filmar sua nova produção naquelas locações. Já é uma realidade que o cenário que simboliza essa ambição de espetáculo e internacionalização. Ali, mais do que vencedores, serão legitimadas tendências, discursos e estratégias de mercado.

O embate entre Kleber Mendonça Filho e nomes como Oliver Laxe não é apenas artístico, é também um choque de visões sobre o que significa fazer cinema hoje. Da mesma forma, a presença de Wagner Moura entre os indicados reafirma a potência de intérpretes brasileiros que transitam entre indústria e autoralidade.

Nesse contexto, os Prêmios Platino continuam crescendo, não apenas como premiação, mas como plataforma geopolítica do audiovisual. Se foi o tempo em que nosso cinema ibérico era uma espécie de “coadjuvante latino” no circuito internacional. A ampliação de categorias e a divisão da cerimônia em dois momentos, já que dia 16 de abril 21 categorias já terão divulgados seus vencedores, indicam que os Platino querem ser, cada vez mais, um termômetro real da indústria, levando o selo de Oscar do audiovisual ibero-americano.

Mais do que celebrar filmes, os Platino organizam uma narrativa de pertencimento. Aproximam Brasil, Espanha, México, Argentina e tantos outros países sob uma mesma gramática cultural, ainda que marcada por tensões e diferenças. No fim das contas, o que está em jogo não é apenas quem leva a estatueta. É quem define o imaginário. E, pela primeira vez em muito tempo, o Brasil não está pedindo espaço, mas sim ocupando, com força, contradição e voz própria.

Abaixo destaque entre indicados aos Prêmios Platino 2026

“O Agente Secreto” de Kleber Mendonça Filho, chega aos XIII Prêmios Platino Xcaret com oito indicações: Melhor Filme, Direção, Interpretação Masculina (Wagner Moura), Música Original, Roteiro, Montagem, Direção de Arte e Vestuário. “Manas” (Marianna Brennand) concorre em três categorias: Melhor Filme de Estreia, Atriz Coadjuvante (Dira Paes) e Educação e Valores. “O Último Azul” (Gabriel Mascaro) é finalista na categoria Melhor Ator Coadjuvante (Rodrigo Santoro). E “O Filho de Mil Homens” (Daniel Rezende) na categoria Maquiagem e Cabeleireiro. Na disputa dos documentários, o representante brasileiro é “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa. Entre as séries e minisséries, “Angela Diniz: Assassinada e Condenada” é finalista para Melhor Música Original, e “Beleza Fatal” concorre entre as Séries de Longa Duração.

O premiado “O Agente Secreto” terá como concorrentes para Melhor Filme “Sirât” (Espanha), “Belén” (Argentina), “Los Domingos” (Espanha) e “Aún es Noche en Caracas” (Venezuela). Kleber Mendonça Filho e espanhol Oliver Laxe (“Sirât”) estarão frente a frente de novo, agora disputando também o prêmio de Melhor Direção, junto com Dolores Fonzi (“Belén”) e Alaúda Ruiz de Azúa (“Los Domingos”)

Já Wagner Moura tem como companheiros de indicações para Melhor Interpretação Masculina Alberto San Juan (“La Cena”, Espanha), Guillermo Francella (“Homo Argentum”, Argentina) e Ubemar Ríos Gómez (“Un Poeta”, Colômbia).

Na categoria de melhor Interpretação Feminina, o Prêmio Platino será disputado por Bianca Sorda e Patricia López Arnaiz (“Los Domingos”), Dolores Fonzi (“Belén”) e Natalia Reyes (“Aún es Noche em Caracas”).

Informações do Correio do Povo

Foto: Victor Jucá / Vitrine Filmes / Divulgação / CP

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