Post: Papa diz a líderes de Camarões que paz é ameaçada por caprichos dos ricos

Pontífice falava ao presidente do país, que está no poder desde 1982

O papa Leão XIV pediu nesta quarta-feira (15) ao governo de Camarões que erradique a corrupção e resista aos “caprichos dos ricos e poderosos”, em um discurso feito na presença do presidente Paul Biya, que lidera o país desde 1982.

O pontífice também pediu o fim do conflito anglófono latente em Camarões, que já matou milhares de pessoas.

“É hora de examinarmos nossa consciência e darmos um salto ousado em direção ao futuro”, disse o líder da Igreja Católica a Biya, ao primeiro-ministro Joseph Dion Ngute e a outros líderes.

“Para que a paz e a justiça prevaleçam, as correntes da corrupção – que desfiguram a autoridade e lhe roubam a credibilidade – devem ser quebradas”, disse Leão em um discurso incomumente direto para uma viagem papal ao exterior.

“Os corações devem ser libertados da sede idólatra pelo lucro”, adicionou.

Biya ouviu o discurso do Papa sem demonstrar qualquer reação. Seu governo nega as acusações de corrupção e violações dos direitos humanos e afirma que a estabilidade que ele traz permite que o Camarões evite o tipo de conflito visto em outras partes da região, incluindo a República Democrática do Congo e a República Centro-Africana, ambas devastadas pela guerra.

Leão, que completará um ano de papado em maio, manteve um perfil relativamente discreto para um papa em seus primeiros 10 meses, mas, nas últimas semanas, tem se manifestado abertamente sobre uma série de questões, principalmente a guerra com o Irã.

Papa alerta sobre ameaça contra a paz

Paul Biya tem 93 anos e está no poder há mais de quatro décadas, beneficiando-se de um sistema de “clientelismo” consolidado.

Durante sua campanha para um oitavo mandato em 2025, a própria filha de Biya, Brenda, publicou um vídeo nas redes sociais incentivando os eleitores a escolherem outro candidato, pois ele “fez muita gente sofrer”. Brenda apagou a publicação posteriormente.

Leão XIV disse ao presidente e a outros líderes que governar “significa ouvir verdadeiramente os cidadãos, valorizar sua inteligência e sua capacidade de ajudar a construir soluções duradouras para os problemas”.

Ele também pediu a proteção dos direitos humanos no país.

“A segurança é uma prioridade, mas deve sempre ser exercida com respeito aos direitos humanos, combinando rigor e magnanimidade, com especial atenção aos mais vulneráveis”, destacou o papa.

“A paz autêntica surge quando todos se sentem protegidos, ouvidos e respeitados, quando a lei serve como uma salvaguarda segura contra os caprichos dos ricos e poderosos”, adicionou.

Informações da CNN Brasil e Reuters

Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane

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