Post: Por que a Lua deve virar nova fronteira de disputa por recursos — e como o Brasil tenta ‘pegar carona’ na missão da Nasa

Missão recente reacende interesse global pelo satélite, que concentra minerais estratégicos e pode ser chave para energia do futuro; país tenta participar com projetos científicos

 

A Lua deve virar uma nova fronteira de disputa de recursos naturais cobiçados.

Com um programa espacial ainda modesto, o Brasil tenta pegar “carona” com a Nasa para desenvolver projetos de agricultura no ambiente da Lua e também tecnologia de satélites.

Por que o interesse pela Lua voltou?

A última vez que o homem pisou na Lua foi em 1972, durante as missões do programa Apollo. Nesta quarta-feira (1º), a missão Artemis II marcou a retomada das viagens tripuladas ao entorno do satélite.

Mas por que o interesse da humanidade pela Lua redespertou décadas depois? Segundo Alexandre Cherman, diretor do Planetário do Rio, a resposta está na viabilidade econômica.

“Economicamente ainda não era viável. Hoje nós sabemos que a lua tem minerais tem elementos químicos muito importantes para a economia da Terra”, diz.

Cherman aponta que alguns desses minerais e elementos são encontrados também no planeta Terra e estão em evidência mais do que nunca.

“Todo mundo já ouviu falar dos elementos de terras raras, que são muito importantes para a microinformática, compostos eletrônicos. Então assim, 99% da eletrônica que você tem, celular, câmera, televisão, depende desse tipo de minerais”.

Mas o recurso mais cobiçado é o Hélio-3Está sendo chamado de “ouro da lua” ou “combustível do futuro”. Considerado uma fonte de energia eficiente, limpa e sem emissão de gás carbônico, rara na Terra.

“A energia nuclear do futuro é a fusão nuclear, que são elementos leves que não deixam o rastro radioativo. E o hélio-3, que é esse isótopo que tem muito na lua, é muito, muito importante para esse processo”.

Empresas privadas já se movimentam nesse mercado. Uma startup norte-americana, por exemplo, desenvolve tecnologias para a extração do material diretamente na Lua.

Disputa entre países e tentativa do Brasil de se inserir na corrida espacial

Cerca de 70 países já participam de acordos de cooperação para exploração lunar, como os Estados Unidos e a China.

O Brasil tenta avançar nesse cenário com dois projetos que podem integrar futuras missões.

O diretor da Agência Espacial Brasileira conta que um acordo bilateral está sendo negociado com os Estados Unidos para que dois projetos nacionais peguem uma “carona” rumo à Lua ao longo do projeto Artemis.

Entre eles, estão: um satélite científico de clima espacial, desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que deve orbitar a Lua; e um projeto com a Embrapa para cultivo de alimentos em bases lunares.

Os primeiros testes devem incluir alimentos como grão-de-bico e batata-doce.

“Já temos aí financiamento para esses dois projetos. Então nós estamos discutindo com a com a Embrapa vários cenários cenários, por exemplo, de você fazer cultivo dentro de uma base lunar então você teria e fazendas verticais eventualmente existem cavernas na lua e dentro de uma caverna dessa a gente poderia encontrar um ambiente mais propício para você fazer esse tipo de cultivo”, explica Rodrigo Leonardi, diretor da Agência Espacial Brasileira.

Da ficção à realidade

A possibilidade de cultivar alimentos fora da Terra já foi explorada no cinema. No filme Perdido em Marte, um astronauta sobrevive ao plantar batatas em solo marciano — cenário inspirado em estudos reais conduzidos pela NASA.

Hoje, iniciativas semelhantes começam a sair do campo da ficção. Estados Unidos e China já iniciaram testes com sementes em missões não tripuladas à Lua.

De volta à Lua — e rumo a Marte

A nova corrida espacial combina desenvolvimento científico, disputa tecnológica e interesses econômicos. Diferentemente do passado, a presença humana na Lua agora é vista como um projeto de longo prazo.

A expectativa é que o satélite funcione como uma base para futuras missões mais ambiciosas — especialmente para Marte, o chamado “planeta vermelho”.

“Vai-se à Lua, vai-se voltar à Lua e manter uma presença no satélite, que servirá como portal para o próximo passo: a chegada a Marte. Não tenho dúvidas de que a primeira pessoa que vai a Marte já nasceu”, pontua Alexandre Cherman, diretor do Planetário do Rio.

Informações Portal G1 / Bom Dia Brasil

Foto: Ernie T. Wright/NASA via AP

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