Post: Praticamente todo o tabaco foi colhido e 20% já comercializado

Informações foram apresentadas durante reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco, em Santa Cruz do Sul

 

A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco realizou na segunda-feira, 23, a 79ª Reunião Ordinária, reunindo representantes de entidades e lideranças do setor para discutir temas estratégicos da cadeia produtiva. O encontro foi realizado na sede da Associação dos Fumicultores do Brasil, em Santa Cruz do Sul, com a participação também em formato virtual de alguns integrantes.

A abertura foi conduzida pelo presidente da Câmara Setorial, Romeu Schneider, seguida de informes da secretaria, incluindo o calendário de reuniões de 2026, que prevê encontros em Brasília nos dias 15 de julho e 11 de novembro.

Entre os destaques da pauta esteve o relato do presidente da Afubra, Marcilio Drescher, com um panorama atualizado da safra 2025/26.

“Estamos com a safra 2025/26 praticamente colhida e cerca de 20% do tabaco comercializado. Nas primeiras pesquisas parciais de final de safra temos uma previsão de 685 mil toneladas, resultado um pouco inferior à anterior em virtude das questões climáticas. Ainda assim, a safra está dentro de uma normalidade”, comentou Drescher.

Com relação à comercialização, Drescher comentou que a procura por tabaco por parte da indústria é menor, com uma rigidez maior na hora da classificação, utilizando as tabelas de classes estabelecidas pela IN-10, do MAPA, que não vinham sendo utilizadas nos últimos anos.

“Isso acaba frustrando um pouco o produtor. Como entidade sempre alertávamos que se continuássemos com esse tamanho de produção atingiríamos um teto, um limite de consumo interno, o que derruba o preço médio para o produtor”, frisou.

Ainda segundo o presidente da Afubra, a safra foi também de pagamento recorde de indenizações, com R$ 237 milhões de auxílio mútuo destinado aos produtores associados afetados.

Vazio sanitário

O representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) na Câmara Setorial do Tabaco e presidente do Sindicato Rural de Irineópolis/SC, Eraldo Konkol, falou sobre a importância de oficializar um vazio sanitário para o tabaco.

“O plantio de inverno tem trazido sérios problemas para os produtores, precisamos parar com essa prática e o Ministério da Agricultura pode nos ajudar a oficializar esse período, assim como faz com outras culturas”, comentou. O tema foi respaldado por Nirlei Storch, da Profigen, que comentou que o produtor tem antecipado o plantio em torno de três meses, ficando muito mais exposto ao clima e a pragas.

Na sequência, o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, abordou o desempenho das exportações brasileiras de tabaco em 2025, além de analisar os impactos do cenário tarifário dos Estados Unidos sobre o setor.

Embarques

Em 2025, o Brasil registrou um desempenho histórico, com exportações que alcançaram US$ 3,389 bilhões, representando um crescimento de 13,84% em relação a 2024. Em volume, foram embarcadas 561.052 toneladas, um avanço ainda mais expressivo de 23,25%, evidenciando a forte demanda internacional pelo produto brasileiro.

Os principais destinos do tabaco brasileiro no período foram Bélgica, China, Indonésia, Estados Unidos, Vietnã, Emirados Árabes e Turquia, reforçando a diversificação de mercados e a presença consolidada do Brasil como líder global nas exportações do setor.

Os dados do MDIC/ComexStat demonstram que em janeiro e fevereiro de 2026 foram exportadas 63.592 toneladas, o que representa uma redução de 19,07% em relação ao mesmo período de 2025. Em termos de receita, as exportações somaram US$ 373,524 milhões, uma queda de 36,74%.

“Tivemos uma queda significativa em divisas no acumulado dos dois meses e há uma tendência que essa redução permaneça, demonstrando que o mercado global está chegando a um equilíbrio de demanda e oferta”, comentou. Nos últimos cinco anos o Brasil exportou em média cerca de 515 mil toneladas de tabaco que resultaram em US$ 2,6 bilhões em divisas.

Crise nos fertilizantes

Outro tema levantado pelo grupo foi a possibilidade de uma nova crise em torno dos fertilizantes por conta da guerra no Oriente Médio. “Devemos ter um problema em torno dos fertilizantes, mas também uma questão logística importante a ser enfrentada, com aumento de custos e suspensão de embarques devido ao risco envolvido no transporte marítimo e atrasos por conta de rotas mais longas. Teremos que enfrentar a situação da melhor forma possível”, destacou Thesing que também falou ao grupo sobre a situação dos embarques para os EUA.

“Cerca de 23% do tabaco produzido, comercializado para clientes americanos e processado na safra 2024/25 ainda permanecem aguardando embarque. Os clientes americanos estão autorizando embarques graduais e há a expectativa de que cerca de US$ 50 milhões devem ser embarcados até julho. No entanto, para esta safra 2025/26, ainda há uma insegurança sobre os embarques, considerando que a sobretaxa atual, de 10%, poderá ser revista após o primeiro semestre”, comentou.

O diretor executivo da Abifumo, Edimilson Alves, comentou sobre os prejuízos em torno da proibição dos DEFS.

“A agência reguladora continua insistindo na proibição, temos trabalhado para tentar sensibilizar sobre a necessidade de regulamentar o produto, considerando o tamanho do mercado ilegal já existente, ainda mais com a provável regulamentação dos novos produtos pelo Paraguai. Estamos perdendo em arrecadação de impostos, perdendo empregos e oportunidades para o Brasil, beneficiando somente o mercado ilegal e o crime organizado”, relatou.

O que o tabaco movimenta?

Benício Werner, da Afubra, apresentou um estudo que está em fase inicial e que pretende destacar todo o movimento econômico gerado a partir das diversas etapas da produção de tabaco, dentro e fora da porteira.

“Queremos entender os números indiretos gerados pelo nosso setor, dos insumos e equipamentos agrícolas utilizados nas propriedades, ao transporte das quase 50 mil cargas de tabaco das propriedades à indústria de beneficiamento e dos 25 mil containers envolvidos para transporte do produto para exportação. Nosso objetivo é sensibilizar governantes e provocar a reflexão sobre o quanto o tabaco também interfere em outros setores econômicos, como comércio e serviços”, comentou Benício Werner ao grupo.

Informações do Correio do Povo

Foto: Felipe Krause / Pixel18dezoito / Divulgação / CP

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