Especialista da Medicina Preventiva da Unimed Serra Gaúcha relaciona características do comportamento humano à necessidade de pertencimento, à busca por conexões sociais e ao alívio emocional
A cada quatro anos, milhões de pessoas passam a acompanhar os jogos da Copa do Mundo, mesmo aquelas que normalmente não têm o hábito de assistir futebol.
As cidades mudam de cor, os assuntos do dia giram em torno das partidas e as emoções parecem ganhar uma intensidade diferente. Mas o que explica esse envolvimento coletivo?
Para a psicóloga da Medicina Preventiva daUnimed Serra Gaúcha Fabiana Reinheimer,a Copa do Mundo mobiliza características fundamentais do comportamento humano, como a necessidade de pertencimento, a busca por conexões sociais e o compartilhamento de experiências emocionais.
“O ser humano é um ser social. Temos a necessidade de pertencer a grupos e de nos sentirmos parte de algo maior. Durante a Copa do Mundo, tudo ao nosso redor passa a falar sobre o mesmo assunto: a mídia, os ambientes de trabalho, os amigos, os restaurantes e as redes sociais. Naturalmente, as pessoas querem participar desse movimento coletivo e não se sentir excluídas dele”, explica.
A especialista destaca que a periodicidade do evento também contribui para sua força emocional. Diferentemente de competições anuais, a Copa acontece apenas a cada quatro anos, transformando as edições em um marco na memória das pessoas.
Além do sentimento de pertencimento, muitas pessoas associam os jogos a momentos vividos com familiares e amigos ao longo da vida.
Para Fabiana, a Copa do Mundo é um dos maiores exemplos de mobilização emocional coletiva existentes atualmente.
“A Copa revela algo muito humano, que é a necessidade de conexão, pertencimento e compartilhamento de experiências. É um fenômeno que acontece em diferentes culturas e países, mostrando que o desejo de fazer parte de um grupo e viver emoções em conjunto é uma característica universal das pessoas”, ressalta.
Quando o futebol se torna válvula de escape
As emoções despertadas pela Copa do Mundo também podem funcionar como uma forma de descarga emocional. Vibrações, comemorações, gritos e até lágrimas fazem parte de um processo que a psicologia chama de catarse.
“As emoções compartilhadas são mais intensas. Quando torcemos em grupo, a alegria de um gol ou a frustração de uma derrota acabam sendo amplificadas pela experiência coletiva. Para algumas pessoas, especialmente aquelas que têm mais dificuldade de expressar sentimentos no dia a dia, o futebol se torna uma oportunidade de colocar emoções para fora”, analisa Fabiana.
A psicóloga da Unimed Serra Gaúcha ressalta, porém, que essa liberação emocional pode gerar alívio, mas não resolve os problemas que eventualmente estejam por trás do estresse ou da angústia.
“O futebol pode funcionar como uma válvula de escape e tornar a vida mais leve naquele momento. Mas é importante refletir sobre o que está causando aquele excesso de tensão e quais são os fatores que estão por trás daquela reação emocional tão intensa. O principal sinal de alerta é quando a pessoa passa a agir de uma forma que não reconhece em si mesma. O equilíbrio e o autoconhecimento são fundamentais”, afirma.
Redes sociais, polarização e humor
Outro fator que contribui para a intensidade emocional na Copa do Mundo é internet. Durante o torneio, cresce a exposição a conteúdos esportivos, comentários, debates e opiniões nas redes sociais e aplicativos de mensagem.
Fabiana conta que os algoritmos tendem a reforçar preferências e pontos de vista, criando ambientes cada vez mais polarizados.
“As redes sociais funcionam de forma muito binária. Elas mostram conteúdos com os quais concordamos ou já interagimos previamente, reforçando nossas crenças e reduzindo o contato com opiniões diferentes. Isso fortalece a lógica do ‘nós contra eles’, presente no futebol, mas também observada em discussões políticas e em outros temas da sociedade. Quando essa dinâmica se intensifica, ela pode afetar a qualidade do diálogo, das relações sociais e até mesmo da saúde mental”, pontua.
A psicóloga da Unimed Serra Gaúcha ainda traz à tona a importância do equilíbrio no uso das telas, priorizando uma rotina de sono adequada – durante o período e sempre.
“A qualidade do sono é uma das primeiras questões afetadas pelo excesso de informações. O sono é essencial para a regulação do humor. Quando dormimos menos, aumenta a irritabilidade, a impulsividade e a dificuldade de lidar com situações estressantes ao longo dia. A vontade de assistir todos os jogos da Copa é grande, mas em prol da qualidade de vida, também escolha descansar”, aconselha.
Foto: Magnefic, banco de dados







