Levantamento da NTC&Logística aponta queda no número de ocorrências, em 2025
Foto Banco de Imagens, Divulgação
Os roubos de cargas no Brasil apresentaram recuo de 16,7% no ano passado, com total de 8.570 ocorrências. Apesar da queda, o impacto financeiro permanece elevado. O prejuízo direto estimado chega a aproximadamente R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão ao considerar os efeitos indiretos, como aumento de custos operacionais, seguros e impacto no preço final dos produtos. Os dados são da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), que há mais de duas décadas monitora e analisa o roubo de cargas no Brasil.
O levantamento mostra que o crime segue concentrado em regiões estratégicas do país. O Sudeste responde por 86,8% das ocorrências, com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo, com a maior parte dos registros nacionais. São Paulo registrou 3.470 ocorrências e o Rio de Janeiro, 3.777 registros. Pernambuco, Bahia e Minas Gerais, pela ordem, completam o top cinco de estados com maior concentração de roubos.
Para o presidente da entidade, Eduardo Rebuzzi, os dados reforçam a importância da continuidade das ações conjuntas, mas evidenciam que o problema ainda está longe de ser superado, ainda que haja avanços importantes no campo institucional e legislativo. “A redução registrada ao longo dos últimos anos demonstra que o trabalho conjunto entre setor produtivo e poder público tem gerado resultados. Ao mesmo tempo, evoluímos em pautas importantes, fruto de um trabalho consistente de articulação e construção técnica”, avalia.
Ressalta que um dos pontos centrais para reduzir o roubo de cargas é o combate à receptação, que sustenta economicamente esse tipo de crime. Cita como avanço concreto nesse sentido a sanção da lei nº 15.358/2026, que institui o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, fortalecendo o enfrentamento das estruturas criminosas e ampliando os mecanismos de punição e investigação. “Essa é uma medida importante para dar mais segurança a quem atua dentro da legalidade. Ainda assim, o cenário segue preocupante e exige atenção permanente, com ações estruturadas e integradas em todo o país”, enfatiza.
Além da concentração geográfica, o estudo aponta uma evolução no perfil das ações criminosas. As quadrilhas têm priorizado cargas de alta liquidez, como alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos, e adotado estratégias mais sofisticadas, como interceptações em movimento, abordagens durante entregas e atuação em áreas urbanas e corredores logísticos.







