Post: RS deve registrar mais de 25 mil novos casos de câncer de pele em 2026; Porto Alegre concentra mais de 3 mil

O frio intenso, os dias cinzentos e o inverno característico do Rio Grande do Sul podem dar a impressão de que os cuidados com o sol podem esperar até o verão.

Os novos números do Instituto Nacional de Câncer (INCA), porém, ajudam a mostrar por que a prevenção do câncer de pele precisa fazer parte da rotina dos gaúchos durante todo o ano.

Somente em 2026, o INCA estima 24.560 novos casos de câncer de pele não melanoma no Rio Grande do Sul, sendo 10.010 entre homens e 14.550 entre mulheres. A taxa bruta estimada é de 218,57 casos para cada 100 mil habitantes.

Para o melanoma, forma menos frequente, porém mais agressiva da doença, são estimados outros 790 novos casos no estado neste ano.

E há uma característica regional importante: segundo a nova Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, a Região Sul apresenta as maiores taxas estimadas de incidência de melanoma entre as regiões brasileiras, tanto entre homens quanto entre mulheres.

O risco estimado é de 9,74 casos por 100 mil homens e 8,34 por 100 mil mulheres na região.

Para a médica Telma Giordani, especialista em saúde da pele e medicina estética, os números ajudam a desconstruir uma percepção comum em estados de inverno mais rigoroso.

“Quem vive no Rio Grande do Sul conhece bem aqueles dias frios, nublados, em que ninguém pensa em proteção solar. O problema é associarmos radiação ultravioleta à sensação de calor. São coisas diferentes. O termômetro pode estar baixo e isso não significa que devemos abandonar os cuidados com a pele”, explica.

Porto Alegre: mais de 3 mil casos estimados

Na capital gaúcha, o recorte é igualmente expressivo.

O INCA estima 2.930 novos casos de câncer de pele não melanoma em Porto Alegre em 2026, sendo 1.230 em homens e 1.700 em mulheres. A taxa bruta estimada chega a 208,19 casos por 100 mil habitantes.

Para melanoma, são esperados outros 130 novos casos, com taxa bruta estimada de 8,95 casos por 100 mil habitantes.

Consideradas separadamente as duas categorias utilizadas pelo INCA, portanto, as estimativas ultrapassam 3 mil novos diagnósticos de câncer de pele na capital somente neste ano.

“O dado de Porto Alegre chama atenção porque aproxima um problema que muitas vezes parece distante. Não estamos falando apenas de uma estatística nacional. Estamos falando de milhares de casos estimados dentro da própria cidade. Isso precisa nos fazer pensar em prevenção antes que apareça uma lesão suspeita”, afirma Telma.

O inverno pode baixar a guarda

Segundo o INCA, a exposição excessiva à radiação ultravioleta é o principal fator de risco para o câncer de pele.

Os danos provocados pelo excesso de exposição solar também são cumulativos, o que torna importante adotar cuidados desde a infância.

Para Telma, o inverno pode favorecer justamente um comportamento de menor percepção de risco.

“No verão existe um ritual: praia, piscina, chapéu, protetor. No inverno esse ritual desaparece, mas continuamos saindo de casa, caminhando, dirigindo, trabalhando e realizando atividades ao ar livre. O cuidado com a pele não pode depender da estação do ano”, explica.

A médica ressalta que a prevenção não significa viver longe do sol, mas estabelecer uma relação mais consciente com a exposição.

“Não precisamos transformar o sol em vilão. Precisamos abandonar a ideia de que proteção solar é um produto de férias. Ela é uma medida de saúde. O ideal é que faça parte da rotina com a mesma naturalidade com que escovamos os dentes ou colocamos o cinto de segurança antes de dirigir.”

O INCA recomenda evitar exposição solar sem proteção principalmente entre 10h e 16h e combinar diferentes estratégias, como buscar sombra, utilizar chapéus, roupas, óculos escuros e filtro solar nas atividades ao ar livre.

A pele também dá sinais

Além da prevenção, observar alterações na pele pode contribuir para que lesões suspeitas sejam investigadas mais cedo.

Feridas que não cicatrizam em até quatro semanas e manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram estão entre os sinais descritos pelo INCA para o câncer de pele não melanoma.

Mudanças em pintas e sinais também merecem avaliação.

“A pessoa não precisa viver procurando doença no espelho. O que precisamos estimular é autoconhecimento. Você conhece a sua pele e percebe quando algo mudou. Uma pinta que se transforma, uma lesão diferente ou uma ferida que insiste em não cicatrizar são motivos para procurar avaliação médica”, orienta Telma.

Para a especialista, o desafio é fazer com que o cuidado preventivo ganhe espaço antes do diagnóstico.

“Quando chega dezembro, todo mundo lembra do câncer de pele. Mas os números do Rio Grande do Sul mostram que essa conversa precisa acontecer em agosto, maio, junho, setembro e o ano inteiro. A pele registra a nossa história de exposição. Quanto antes transformarmos prevenção em hábito, melhor.”

 

Foto: Reprodução

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