O serviço de Infectologia da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) recebeu destaque em nível nacional ao ter o projeto sobre ampliação de testagem rápida de Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) para as pessoas privadas de liberdade no Município.
O serviço foi selecionado entre as dez experiências mais exitosas do País, na Chamada Pública para mapeamento de Experiências Exitosas para a Eliminação das Hepatites Virais no Brasil até 2030.
Com o intuito de oportunizar o tratamento para a população privada de liberdade, caracterizada por alta vulnerabilidade, o atendimento desenvolvido no Presídio Regional de Caxias do Sul (PRCS) e na Penitenciária Estadual de Caxias do Sul (PECS), que causa uma ruptura no ciclo de infecção, tanto intramuros quanto extramuros, acaba protegendo, consequentemente, a saúde de toda comunidade.
Dentre as 40 experiências submetidas, somente 10 propostas foram selecionadas pelo Ministério da Saúde (MS) e serão apresentadas durante o 3º Seminário Diálogos para a Eliminação das Hepatites Virais, nos dias 24 e 25 de junho, com transmissão nacional via internet.
O projeto foi executado entre agosto e dezembro de 2025, por meio de estratégias integradas entre as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) prisionais do Município e o Serviço de Infectologia local.
No período, foram realizados mutirões de Testes Rápidos (TR) para HIV, sífilis e hepatites virais B e C, para a população privada de liberdade (PPL) nas unidades prisionais, gerando dados precisos sobre a prevalência de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Uma equipe de 16 profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicóloga e dentista, trabalharam, durante cinco meses aproximadamente, junto ao setor de segurança e com a Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE), durante a execução da ação.
A coordenadora do Serviço de Infectologia do Município, Grasiela Cemin Gabriel, que inscreveu, junto da colega Josiane Galvan, a proposta na Chamada Pública do MS, explica a estrutura e destaca a importância do projeto realizado.
“A proposta do trabalho teve como objetivo ampliar o acesso ao diagnóstico e ao cuidado das infecções sexualmente transmissíveis (IST), com foco especial nas hepatites virais, entre a população privada de liberdade. A ação foi desenvolvida como uma estratégia de microeliminação, voltada a uma população em situação de maior vulnerabilidade e com elevado risco de aquisição e transmissão dessas infecções quando não diagnosticadas e tratadas oportunamente. Para viabilizar a proposta, realizamos uma articulação intersetorial envolvendo as equipes de saúde prisional das duas UBSs Prisionais, o Serviço de Infectologia como referência para o atendimento das hepatites virais e a Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE). A parceria possibilitou a organização de fluxos de encaminhamento, acompanhamento e tratamento de todos os casos identificados como reagentes nos testes rápidos. Os resultados obtidos foram expressivos. Conseguimos alcançar 93% de cobertura da população prisional, com a realização de mais de 1.674 testes rápidos”, pontuou.
A ação permitiu o diagnóstico de novos casos de HIV, sífilis e hepatites virais B e C, além do resgate de pessoas que haviam abandonado o acompanhamento ou tratamento, promovendo sua reinserção na rede de cuidados. A experiência também fortaleceu a integração entre os serviços de saúde e o sistema prisional, qualificou os indicadores epidemiológicos do Município e reafirmou o compromisso do SUS com os princípios da equidade e da garantia do acesso à saúde para populações em situação de vulnerabilidade. Além do impacto individual no diagnóstico e tratamento dos casos identificados, a ação contribui para a interrupção da cadeia de transmissão dessas infecções, beneficiando não apenas a população privada de liberdade, mas também a comunidade em geral, dentro e fora do ambiente prisional”, completou.
Para a coordenadora, o reconhecimento nacional obtido pela proposta reforça a relevância de investir em estratégias inovadoras e integradas.
“Esse reconhecimento demonstra que ações articuladas e baseadas na equidade podem transformar realidades, ampliar o acesso ao cuidado e contribuir de forma efetiva para o enfrentamento e a eliminação das hepatites virais no Brasil”, concluiu.
Tâmara Melissa Danelon Muchulski, gerente da UBS na Penitenciária Estadual de Caxias do Sul (PECS), descreveu a experiência da unidade durante a ação.
“Foi bastante trabalhoso, mas muito gratificante. As equipes dos dois serviços tiveram a possibilidade de fazer o diagnóstico preciso das IST’s e iniciar e/ou dar continuidade nos tratamentos dos que testaram positivo para alguma das quatro doenças. Após o compilado dos resultados, repassamos aos coordenadores das galerias os percentuais de infectados, em uma tentativa de sensibilizar a população prisional e orientar o uso de preservativo nas relações, pois este cuidado reflete no extramuros. É importante ressaltar que, no que diz respeito à doenças infectocontagiosas, o cuidado dentro da penitenciária reflete também fora dos muros”, frisou.
Para Sônia Cristóvão, gerente da UBS no Presídio Regional de Caxias do Sul (PRCS), a participação no projeto também foi uma experiência muito significativa.
“Reforça o compromisso da saúde pública em garantir acesso ao diagnóstico e ao cuidado para toda a população, incluindo as pessoas privadas de liberdade. A realização das testagens rápidas foi resultado de um trabalho integrado entre as equipes de saúde, a SUSEPE e as unidades prisionais, sempre com foco na prevenção e no diagnóstico precoce. Ter esse trabalho reconhecido e selecionado entre os dez projetos apresentados em um seminário nacional é motivo de orgulho e reflete o comprometimento de todos os profissionais envolvidos na promoção da saúde e na eliminação das hepatites virais”, destacou.
O 3º Seminário Diálogos para a Eliminação das Hepatites Virais, que contará com a apresentação do projeto de Caxias do Sul, será transmitido pelo link nas próximas quarta e quinta-feira (24 e 25/06), das 9h às 17h30.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (61) 3315-7828 ou via e-mail eventosaids@aids.gov.br
De acordo com os registros do projeto, após a realização dos Testes Rápidos (TR), todos os resultados foram consolidados e registrados no sistema de informação do Município, permitindo a compilação de dados epidemiológicos, o encaminhamento adequado dos resultados aos indivíduos testados e a solicitação de exames laboratoriais complementares, quando indicados.
Os apenados com resultado positivo para sífilis foram agendados para consulta médica, com solicitação do exame VDRL conforme o protocolo vigente. No caso do HIV e das hepatites virais B e C, os resultados positivos foram avaliados individualmente.
A maioria correspondia a pacientes já vinculados ao cuidado e em tratamento regular. Para os casos novos, seguiu-se o fluxo assistencial da UBS Prisional, com encaminhamento ao Serviço Municipal de Infectologia para acompanhamento especializado, respeitando as diretrizes clínicas estabelecidas.
Confira os resultados da ação realizada entre agosto e dezembro de 2025 na íntegra:
No total, foram testados 1.674 apenados, com quatro testes rápidos realizados por pessoa, totalizando 6.696 testes.
Panorama por IST:
Sífilis: 298 positivos (17,8%). Desses, 151 estavam tratados ou com cicatriz sorológica, 76 casos novos receberam tratamento ou retratamento, e 44 indivíduos saíram sem definição;
HIV: 39 positivos (2,33%). Destes, 35 já estavam em tratamento, (3) três foram casos novos, (1) um abandono;
Hepatite C: 36 positivos (2,15%). Entre eles, 27 estavam tratados ou com cicatriz sorológica, (4) quatro casos novos receberam tratamento e acompanhamento, e (5) cinco saíram sem definição;
Hepatite B: (5) cinco positivos (0,29%). Destes (4) quatro estavam em acompanhamento e (1) um caso novo foi vinculado ao serviço.
Foto: Divulgação SMS







