Presidente dos EUA enfatizou que acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou um cessar-fogo de duas semanas com o Irã. O anúncio foi feito por Trump em sua conta na rede social Truth Social após negociações diplomáticas intensas intermediadas pelo governo do Paquistão.
“Com base nas conversas com o Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif e o Marechal de Campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais me solicitaram que suspendesse o envio de forças destrutivas ao Irã esta noite, e desde que a República Islâmica do Irã concordasse com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas”, escreveu o presidente americano.
Ainda de acordo com Trump, a razão para a trégua é que os objetivos militares americanos na guerra foram cumpridos e os EUA estão perto de um acordo definitivo com o Irã.
“Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação. Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o Acordo seja finalizado e consolidado”, acrescentou.
“Este será um CESSAR-FOGO bilateral! A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um Acordo definitivo sobre a PAZ a longo prazo com o Irã e a PAZ no Oriente Médio”, adicionou à publicação.
O Paquistão, que atua como mediador, confirmou que o Irã concordou com um “cessar-fogo imediato”, segundo seu primeiro-ministro, Shehbaz Sharif.
Trump afirmou que conversou com os líderes do Paquistão, que lhe “pediram que detivesse a força destrutiva que esta noite seria enviada ao Irã”.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, garantiu uma passagem segura durante duas semanas para os navios através do Estreito de Ormuz, a via de saída de um quinto do petróleo mundial, que Teerã havia fechado em retaliação pela guerra iniciada em 28 de fevereiro.
“Se os ataques contra o Irã cessarem, nossas poderosas Forças Armadas cessarão suas operações defensivas”, disse Araghchi.
Trump afirmou que os Estados Unidos estavam “muito avançados” na negociação de um acordo de paz de longo prazo com o Irã, que apresentou um plano de 10 pontos que ele classificou como “viável”.
Segundo o Irã, o plano inclui o levantamento das sanções de longa data, a garantia do “controle” do país sobre o Estreito de Ormuz e a retirada das forças americanas da região.
Além disso, exige que Washington aceite seu programa de enriquecimento de urânio.
Após o anúncio da trégua, a Bolsa de Seul disparou mais de 6% e a de Tóquio subiu mais de 4% nesta quarta-feira na abertura das operações.
Reação dos mercados
O preço do petróleo caiu quase 18% após a declaração de Trump. Os custos nas bombas de combustível haviam aumentado desde o início da guerra para os consumidores americanos, gerando forte pressão política sobre Trump.
Não houve reação imediata de Israel, que havia incentivado Trump a entrar em guerra contra o Irã, cujos clérigos xiitas no poder apoiam grupos armados anti-israelenses em todo o Oriente Médio.
Trump havia estabelecido como prazo para o Irã abrir o estreito de Ormuz as 20h de Washington (21h de Brasília), ou 3h30 em Teerã.
Anteriormente, ele havia ameaçado destruir todas as usinas elétricas e pontes do país de 90 milhões de habitantes, o que configuraria um crime de guerra por se tratar de alvos de uso principalmente civil.
O presidente americano também fez ameaças que provocaram alertas de que estaria incitando genocídio, o que poderia eventualmente resultar em acusações de crimes de guerra contra militares americanos que cumprissem tais ordens.
“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais voltar. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, havia escrito Trump.
A retórica representava uma escalada em relação a uma publicação carregada de insultos dois dias antes, no Domingo de Páscoa. O papa Leão XIV disse que “essa ameaça contra todo o povo do Irã” era “verdadeiramente inaceitável”.
Informações do Correio do Povo e Estadão
Foto: PATRICK T. FALLON / AFP







