Encontro desta quarta-feira na Casa Branca ocorre após ameaças do presidente americano de retirar os EUA da organização
O líder americano ameaçou retirar-se da aliança transatlântica de 32 membros e denunciou os aliados europeus de Washington nas últimas semanas pelo que considerou apoio inadequado à campanha de bombardeio EUA-Israel no Irã.
Trump afirmou na terça-feira (7) que os ataques seriam suspensos após as duas partes concordarem com um cessar-fogo de duas semanas.
O presidente pediu que os países que dependem do petróleo da região do Golfo quebrem o bloqueio do Irã no Estreito de Ormuz, mas é improvável que os países europeus se juntem a missões de desminagem ou outras ações para liberar a navegação enquanto as hostilidades continuarem, segundo dois diplomatas europeus.
O Irã prometeu obstruir o ponto estratégico vital com minas até o fim da guerra.
“Ponto perigoso para a aliança”
Rutte, conhecido na Europa como um “conselheiro de Trump”, cultivou uma relação cordial com o americano apesar das tensões e se referiu a ele no ano passado como um “papai” que controlava uma briga de recreio entre Israel e Irã.
Outro diplomata europeu descreveu a abordagem de Rutte em relação a Trump como deferente, mas eficaz.
O conflito com o Irã agravou as ansiedades transatlânticas sobre a Ucrânia, a Groenlândia e os gastos militares, embora altos funcionários americanos tenham assegurado, em conversas privadas, aos governos europeus que a administração permanece comprometida com a Otan, segundo um dos dois funcionários europeus que participaram dessas conversas.
“Este é um ponto perigoso para a aliança transatlântica”, declarou Oana Lungescu, ex-porta-voz da Otan e atualmente no Royal United Services Institute, um think tank com sede em Londres.
O que esperar do encontro
Quando os dois se encontrarem, Rutte provavelmente expressará um interesse mútuo em restaurar o comércio marítimo normal após as hostilidades terem provocado uma disparada nos preços da energia em nível global, disseram os dois primeiros diplomatas.
Espera-se também que ele tente dissuadir o líder americano de criticar publicamente a aliança, ao mesmo tempo que destaca as medidas que os países europeus estão tomando para aumentar os gastos com defesa.
Um funcionário da organização afirmou que Rutte buscará aumentar a cooperação na indústria de defesa e discutir as guerras no Irã e na Ucrânia.
Mas não está claro se a Otan, uma aliança defensiva focada na América do Norte e na Europa, desempenhará um papel significativo no Oriente Médio.
Rutte não foi incumbido pelos líderes europeus de se comprometer com uma operação no Estreito de Ormuz quando se encontrar com Trump, segundo um dos diplomatas.
“Espero que ele mantenha o diálogo sobre a Ucrânia e a redistribuição de responsabilidades dentro da Otan”, disse outro diplomata europeu de alto escalão, acrescentando que o ex-político holandês afirmou que os membros da aliança “deveriam se empenhar na abertura do Estreito de Ormuz” após um cessar-fogo.
As reuniões no Salão Oval com líderes estrangeiros costumam ser um espetáculo, com elogios e queixas sendo expostos publicamente diante das câmeras de televisão.
Trump chama Otan de “Tigre de papel”
A aliança, que inclui países europeus, os EUA e o Canadá, foi formada em 1949 para conter o risco de um ataque soviético e tem sido a pedra angular da segurança do Ocidente desde então.
Nas últimas semanas, Trump chamou repetidamente a Otan de “tigre de papel”, inútil em momentos de necessidade. Questionado por um repórter da Reuters no início deste mês sobre a possibilidade de se retirar da organização, o presidente disse: “Você não faria o mesmo se estivesse no meu lugar?”
O foco do líder americano no Oriente Médio também ameaçou desviar ainda mais o armamento americano da Ucrânia, cuja defesa é uma prioridade fundamental para a maioria dos membros europeus da aliança.
As críticas de Trump à Ucrânia, o envolvimento com a Rússia e as ameaças de anexar a Groenlândia, território da Dinamarca, membro da OTAN, alarmaram esses aliados.
“Ele ficou desapontado com a falta de disposição da Otan e de outros aliados em colaborar durante a Operação Epic Fury, embora seu esforço para neutralizar a ameaça representada pelo Irã seja benéfico para eles”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly. “Como ele mesmo disse, os Estados Unidos se lembrarão.”
Informações da CNN Brasil e Reuters
Foto: REUTERS/Jonathan Ernst







