O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a oferecer, nesta semana, a vacina pneumocócica 20-valente conjugada, a VPC20, para pessoas com 85 anos ou mais. A medida amplia a proteção contra a doença pneumocócica, que pode causar pneumonia, meningite, sepse e outras complicações graves.
A vacina já era oferecida pelo SUS, desde junho deste ano, para crianças menores de cinco anos e pessoas com condições especiais de saúde. Até o início de setembro, mais de um milhão de doses haviam sido aplicadas no país.
A estimativa é de que 2,3 milhões de brasileiros com 85 anos ou mais estejam aptos a receber a vacina. O Ministério da Saúde estabeleceu como meta imunizar pelo menos 90% desse público. Cerca de um milhão de doses já foram distribuídas aos estados para a implementação da estratégia.
A faixa etária acima dos 85 anos apresenta maior vulnerabilidade a infecções respiratórias e suas complicações. Um dos fatores é a imunossenescência, processo natural do envelhecimento que provoca mudanças na resposta do sistema imunológico e pode reduzir a capacidade do organismo de combater infecções.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença pneumocócica tem impacto significativo entre adultos a partir dos 60 anos, especialmente nas faixas etárias mais avançadas. Doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, também podem aumentar o risco de infecções e de evolução para quadros graves.
Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS citados pelo Ministério da Saúde mostram que a taxa de hospitalização por pneumonia, independentemente da causa, entre pessoas com 80 anos ou mais foi de 3.097,7 casos por 100 mil habitantes em 2024 e de 2.902,7 em 2025.
No mesmo período, dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade apontam que, entre pessoas com 85 anos ou mais, a taxa de mortalidade por pneumonia foi de 758,1 óbitos por 100 mil habitantes em 2024 e de 743,1 em 2025.
A doença pneumocócica é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo. A infecção pode provocar pneumonia, meningite, sepse e otite média. Em pessoas idosas, principalmente naquelas com outras doenças, o quadro pode agravar condições preexistentes e aumentar o risco de hospitalização.
Imunização ao longo da vida
O envelhecimento da população também reforça a importância da vacinação como parte dos cuidados de saúde ao longo da vida. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, até 2030, as Américas terão mais pessoas com 60 anos ou mais do que menores de 15 anos.
Além de prevenir doenças, a vacinação pode contribuir para reduzir hospitalizações, custos para o sistema de saúde e mortes.
A infectologista Rosana Richtmann destaca que a prevenção de doenças infecciosas deve fazer parte da rotina de cuidados, com avaliação do histórico vacinal e das necessidades de cada pessoa. Entre os idosos, segundo ela, a imunização pode ajudar a reduzir complicações e preservar a autonomia e a qualidade de vida.
Para pessoas com 85 anos ou mais, a recomendação do Ministério da Saúde é de uma dose única da VPC20, considerando o histórico de vacinação de cada indivíduo. A orientação é manter a carteira de vacinação atualizada e buscar um profissional de saúde para verificar quais imunizantes são indicados para cada caso.
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