Post: Terremotos consecutivos na Venezuela provocam mais de 160 mortes, 970 feridos e são sentidos no Brasil

Dois fortes terremotos atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24), com relatos de 164 mortos e pelo menos 971 feridos.

A confirmação das vítimas foi feita nesta quinta-feira (25) pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em pronunciamento.

O primeiro tremor de magnitude 7,2 na escala Richter atingiu a região da costa central do país, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).

O terremoto ocorreu às 18h04 no horário local e teve seu epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, cerca de 280 quilômetros a oeste de Caracas.

Pouco depois, o USGS registrou um segundo terremoto, ainda mais forte, de magnitude 7,5. O epicentro foi localizado próximo ao município de Yumare, um pouco mais ao norte do epicentro inicial. Segundo o USGS, o intervalo entre os dois tremores foi de 39 segundos.

Delcy Rodríguez disse que os Estados de Caracas, La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón foram afetados pelos terremotos e por mais de 20 tremores secundários. Diante da situação, foi decretado estado de emergência.

Rodríguez mencionou “graves consequências” e manifestou solidariedade às famílias que possam ter perdido entes queridos.

Ela confirmou que a Venezuela espera receber equipes de resgate dos Estados Unidos, República Dominicana, El Salvador, México e Catar ao longo desta quinta-feira (25) e agradeceu aos governos estrangeiros pela solidariedade.

“Estamos empenhados em árduos esforços de resgate para salvar as vidas que Deus nos permitir salvar”, disse ela.

Imagens registradas em Caracas e La Guaira mostram diversos edifícios desabados e muitos outros com sérios danos estruturais. O alerta emitido pelo USGS indica a possibilidade de vítimas fatais e perdas econômicas significativas.

O tremor levou à evacuação de numerosos prédios na capital, e milhares de pessoas permaneceram nas ruas por medo de novas réplicas.

Segundo o Itamaraty, os terremotos também foram sentidos na Região Norte, em áreas do território brasileiro próximas à fronteira com a Venezuela.

O governo brasileiro expressou pesar pelas perdas causadas pelos terremotos.

“O Brasil manifesta sua solidariedade ao governo e ao povo da Venezuela e deseja uma rápida recuperação aos feridos”, disse o Itamaraty, em nota.

O governo do Brasil disse que os brasileiros afetados devem entrar em contato com a embaixada brasileira pelo telefone +58 414-3723337.

O prefeito de Belém, Igor Normando, afirmou que prédios chegaram a ser esvaziados em algumas áreas da cidade como precaução, mas não houve danos ou vítimas.

“Seguimos monitorando a situação e adotando todas as medidas necessárias para garantir a segurança da população”, acrescentou.

Em seu pronunciamento, Delcy Rodríguez agradeceu a líderes de diversos países, inclusive ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Trump havia escrito anteriormente na rede Truth Social que os EUA “estão prontos, dispostos e aptos a ajudar”, acrescentando que havia “orientado todas as agências do nosso governo a se prepararem para agir rapidamente”.

Nas redes sociais, Rodríguez acrescentou à sua expressão de gratidão que “a Venezuela jamais esquecerá a mão amiga estendida ao nosso povo nestes tempos difíceis”.

O Serviço Geológico dos EUA afirmou que é provável que haja um elevado número de vítimas e danos extensos na Venezuela.

“É provável que o desastre seja generalizado”, e fortes tremores secundários podem ocorrer na sequência, segundo o USGS.

De acordo com a agência, há 44% de probabilidade de mais de 10 mil mortes e 30% de chance de ultrapassar 100 mil.

Existe também um risco significativo de deslizamentos de terra e de liquefação do solo. A liquefação é um fenômeno que afeta sedimentos pouco compactados durante um terremoto e assemelha-se a um deslizamento lateral de terra.

Alertas de tsunami e aeroporto fechado

Após os terremotos, alertas de tsunami foram emitidos para a Venezuela, Aruba e Bonaire, além de avisos preventivos para Porto Rico e as Ilhas Virgens Britânicas, de acordo com o Sistema de Alerta de Tsunamis dos EUA. Posteriormente, todos esses alertas foram cancelados.

O ministro do Interior, Diosdado Cabello, informou que equipes de segurança, proteção civil, bombeiros, policiais e voluntários foram mobilizadas para atender às áreas afetadas.

Ele recomendou que a população evacuasse edifícios devido ao risco de novas réplicas e relatou situações críticas em bairros de Caracas, como Los Palos Grandes e Altamira.

O prefeito do município de Chacao, Gustavo Duque, informou o desabamento de um prédio de oito andares e outro de doze andares. Segundo ele, 18 pessoas foram resgatadas com vida.

Como medida preventiva, o fornecimento de gás natural foi interrompido nas regiões afetadas para evitar acidentes.

Além disso, houve cortes de energia elétrica, falhas na internet, suspensão das operações do metrô de Caracas, interrupções em linhas ferroviárias e problemas no abastecimento de água em várias localidades.

Em pronunciamento durante a noite, o governo venezuelano anunciou o fechamento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, principal terminal aéreo que atende à região de Caracas.

A presidente interina Delcy Rodríguez confirmou que o aeroporto sofreu “danos graves” em sua infraestrutura e que as operações foram suspensas por tempo indeterminado.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram momentos de pânico no Aeroporto Internacional de Maiquetía, onde dezenas de pessoas correram enquanto o terremoto acontecia.

A presidente interina pediu calma e união à população e anunciou a criação de um gabinete de crise composto por altos funcionários do governo.

“A primeira mensagem para nossa população é manter a união para salvar vidas”, declarou em pronunciamento nacional.

O governo anunciou ainda a suspensão das aulas e das atividades econômicas não essenciais nos próximos dias.

Um dos terremotos da noite de quarta-feira foi o mais forte registrado no país desde 1900, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Informações da BBC News
Foto: Reuters

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