Post: Custo da Cesta Nutricional Familiar recua em junho no RS, mas segue comprometendo quase 90% do salário mínimo

Depois de dois meses consecutivos de alta, o custo da Cesta Nutricional Familiar da família gaúcha apresentou leve queda em junho. O valor mediano da cesta passou para R$ 1.448,14, redução de 0,39% em relação a maio.

Apesar do recuo, o custo permanece elevado: a alimentação de uma família formada por dois adultos e uma criança entre 4 e 10 anos ainda consome 89,3% do salário mínimo nacional. 

Os dados fazem parte do relatório mensal da Cesta Nutricional Familiar, elaborado pelo PUCRS Data Social e pelo Grupo de Pesquisa em Comportamento Alimentar (GPCA) da PUCRS, em parceria com a Receita Estadual do Rio Grande do Sul.

A iniciativa utiliza milhões de notas fiscais eletrônicas para acompanhar a evolução dos preços e combinar informações econômicas com indicadores nutricionais, subsidiando tanto políticas públicas quanto o planejamento alimentar das famílias.

Na comparação com junho de 2025, a cesta acumula alta de 2,71%, enquanto a variação no ano chega a 2,73%, indicando que, embora o ritmo de aumento tenha desacelerado, os preços permanecem em patamar superior ao observado no início de 2026. 

Regionalmente, a região da Produção passou a registrar a cesta mais cara do Estado, com custo de R$ 1.540,81, seguida por Médio Alto Uruguai (R$ 1.539,03) e Nordeste (R$ 1.538,74).

Na outra ponta do ranking, Jacuí Centro (R$ 1.329,64) e Centro Sul (R$ 1.359,57) apresentaram os menores valores. A maioria das regiões registrou queda nos preços durante junho, sinalizando uma acomodação após as fortes altas verificadas em maio.

Entre os produtos que mais encareceram no mês estão vagem (+21,23%), batata-inglesa (+9,90%), cebola (+9,07%), tomate (+8,95%) e feijão preto (+8,35%). Em contrapartida, a maior oferta sazonal favoreceu a redução dos preços da laranja (-16,99%), beterraba (-14,31%), brócolis (-14,18%), repolho (-11,11%) e paleta suína (-7,01%).

Segundo os pesquisadores, esse equilíbrio entre altas e baixas explica a estabilidade observada no valor final da cesta em junho.

Balanço avalia acessibilidade nutricional

Além de monitorar preços, o estudo analisa a chamada acessibilidade nutricional, indicador que relaciona o custo dos alimentos à quantidade de nutrientes obtidos por real investido.

O levantamento mostra que o feijão preto continua sendo um dos alimentos com melhor relação entre preço e oferta de proteínas e fibras.

Já entre as fontes de vitamina C, a laranja se destaca ao fornecer cerca de 108 miligramas de vitamina C por real investido, quantidade suficiente para atender integralmente a recomendação diária de adultos.

O repolho também ganhou destaque ao combinar queda de preço e elevado retorno nutricional.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam a importância da sazonalidade como aliada de uma alimentação saudável e economicamente acessível.

A maior disponibilidade de frutas e hortaliças típicas da estação amplia o acesso da população a alimentos ricos em vitaminas e fibras, demonstrando que escolhas baseadas na época de produção podem beneficiar tanto o orçamento familiar quanto a qualidade nutricional da dieta.

Você pode acessar o estudo completo aqui.

O que é a Cesta Nutricional Familiar?

A Cesta Nutricional Familiar é uma iniciativa desenvolvida pela PUCRS em parceria com a Receita Estadual do Rio Grande do Sul que vai além da tradicional cesta básica.

A ferramenta estima o custo de uma alimentação nutricionalmente adequada para diferentes perfis familiares, considerando hábitos reais de consumo, necessidades nutricionais e diferenças regionais de preços.

O monitoramento utiliza dados das notas fiscais eletrônicas emitidas em todo o Estado, permitindo acompanhar mensalmente a evolução dos preços dos alimentos.

Além do custo, a plataforma também avalia a qualidade nutricional da alimentação e a relação entre preço e nutrientes, oferecendo informações úteis para famílias, gestores públicos, escolas, hospitais e demais instituições que planejam cardápios e políticas de segurança alimentar.

A plataforma disponibiliza ainda um painel interativo para consulta pública com diferentes composições familiares e regiões do Rio Grande do Sul.

Acesse o painel aqui.

 

Foto: Reprodução

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