A grande presença das casas de apostas durante as transmissões da Copa do Mundo voltou a colocar as bets no centro das discussões sobre consumo e comportamento financeiro.
Em meio ao debate, pesquisa realizada pela meutudo, fintech especializada em soluções de crédito, revela que parte dos brasileiros já deixaram de lado suas prioridades financeiras para apostar.
O levantamento, realizado com mais de 10 mil participantes, mostra que 46% das pessoas entre 25 e 34 anos afirmam já ter utilizado dinheiro que seria destinado a outra finalidade para realizar apostas, evidenciando que, para uma parcela dos apostadores, a atividade pode competir com outras despesas do orçamento.
Os dados também mostram que muitos brasileiros ainda enxergam as apostas como uma oportunidade de aumentar a renda.
Entre os entrevistados de 35 a 44 anos, 63% afirmam apostar principalmente com o objetivo de conseguir um dinheiro extra, percentual superior ao daqueles que encaram a prática apenas como diversão.
Outro dado que chama atenção é o consumo frequente de conteúdos relacionados às apostas.
Entre os participantes de 45 a 54 anos, 67% afirmam acompanhar conteúdos sobre bets nas redes sociais, mostrando como esse universo passou a fazer parte da rotina de muitos consumidores brasileiros.
Apesar da percepção de controle financeiro declarada pelos participantes, os resultados indicam que parte dos apostadores já precisou reorganizar o orçamento em função da atividade.
Entre os entrevistados de 25 a 34 anos, 17% afirmam que as apostas os levaram a adiar compras não essenciais, enquanto 8% relatam já ter deixado de pagar alguma conta no prazo por causa dos gastos com apostas.
A pesquisa também mostra que muitos consumidores reavaliam a prática depois de abandonar as apostas.
Entre aqueles que deixaram de apostar, 59% das pessoas entre 25 e 34 anos afirmam que passaram a administrar melhor o dinheiro, enquanto 70% dizem que abandonar a atividade foi importante para alcançar seus objetivos financeiros.
Para Marcio Feitoza, CEO da meutudo, esse comportamento mostra que as apostas podem gerar impactos que vão além do entretenimento.
“Quando o consumidor percebe que precisa utilizar recursos originalmente destinados a outras despesas ou sente que sua organização financeira melhora depois de interromper esse hábito, existe um sinal importante de reflexão sobre a forma como esse gasto estava inserido no orçamento. O planejamento financeiro passa justamente por reconhecer esses comportamentos e estabelecer limites compatíveis com a realidade de cada pessoa.”
Embora a maioria dos entrevistados afirme definir previamente um limite para gastar com apostas, a pesquisa reforça que o tema continua despertando atenção diante do crescimento do mercado e da maior exposição do público às plataformas de apostas esportivas.
Entre os participantes de 45 a 54 anos, 63% afirmam sempre estabelecer um teto de gastos antes de apostar, indicando uma preocupação crescente com o controle financeiro mesmo entre quem participa regularmente desse tipo de atividade.
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