MINHA ÚLTIMA COLUNA
Antes do dia 25 de Outubro de 2026
Segundo turno das eleições 2026 batendo na porta e a gente tá como? Ansiosos, irritados, às vezes discutindo, com medo, insônia, enfim, com a saúde mental totalmente abalada ou abalando a de alguém.
Tem gente chamando essa ansiedade de TPE – Tensão Pré-Eleitoral, mas Psicose Política é o diagnóstico de Instagram da vez.
O que estamos experimentando é na verdade um Transtorno de Estresse Pré-Traumático. Sim, você leu certo, a gente está sofrendo com um trauma em curso, em conta-gotas, prestes a se transformar em alívio ou em um traumão, e isso só vamos saber na noite do dia 25.
Acontecendo o que acontecer no dia 25, dia 26 a gente vai acordar. Feliz ou triste. Ou indiferentes. Quem se posiciona vai ter o que comemorar ou lamentar; e quem não escolher vai ter que conviver com o que os outros escolheram.
Independente do seu voto, tem algumas coisas que são fatos. O que você defendeu, as ofensas que recebeu ou fez, as indiretas, as fake news, as provocações, tudo vai continuar ali.
Muitos não eram nascidos ou não se lembram, mas as discussões políticas da Pré-história da sociedade aconteciam em rodas de amigos, almoços de família, mesas de bar, aulas, reuniões comunitárias e afins. As tretas duravam o tempo do encontro, e poucas eram levadas adiante com tanto afinco.
Hoje não. A treta começa antes de uma postagem ou um comentário, e dura o tempo que a queda de braço da arte de inticar persiste. Ameaças, xingamentos, baixaria, paixão e ódio, tudo em alguns caracteres. Às vezes em LETRAS MAIÚSCULAS PRA GRITAR PRA TODO MUNDO SUA OPINIÃO, outras em DMs desaforadas, alguns memes, emojis e imagens de IA. Tudo ali, gravado pra sempre no mundo virtual. Mesmo que a pessoa apague, tem o print ou como recuperar.
Sou saudosista sim. Gostava de antigamente, da calma de não ter que ignorar as ofensas ou deletar pessoas na minha existência virtual. Presencialmente, a gente apenas deixava aos poucos a vida nos afastar. Gostava de argumentar frente a frente, mesmo quando era pra discutir e depois fazer as pazes. Gostava do apagamento lento na mente das idéias distorcidas de alguns e das anotações em um bloco com resumos ou nomes de livros e artigos de outros que admirava.
Com o algoritmo não dá pra fazer isso, porque ele não é um agregador. Não é aquele personagem da turma que reunia todo mundo num encontro de sábado à noite pra se divertir e conversar. O algoritmo é aquele fofoqueiro intrigueiro da cidade, que mandava cartas ou telefonemas anônimos, ridicularizava e fazia bullying, tudo pra criar o caos. Sim, o algoritmo é esse sujeito que poderia fazer coisas ótimas mas foi moldado pra ser um gênio do mal. E fez muita gente acreditar que só veio em missão de paz.
Por isso, dia 26 não vamos acordar e voltar ao que era antes. Vamos voltar a falar com algumas pessoas que tinham opiniões diferentes das nossas mas com quem mantivemos uma relação mútua de respeito. Mas não vai ser igual, o mundo não vai ser igual.
Dia 26, seja qual for o resultado, vamos repensar o que vamos fazer para continuar defendendo o que acreditamos sem sofrer tanto assédio de quem não concorda com a gente.
Independente de quem ganhar, vamos sempre continuar lutando pelo direito à discussão respeitosa e baseada em fatos. Vamos precisar de calma e muita terapia, porque o que a internet uniu, o algoritmo veio pra separar.
Em tempo: Pra quem não entendeu, eu voto contra o retrocesso, pela distribuição igualitária de renda, pelos direitos de minorias e sei que nem toda mudança é pra melhorar a nossa vida. Se você ainda não entendeu em quem eu vou votar, infelizmente eu sei em quem você vai votar.




