Post: A boca pode revelar doenças que afetam todo o organismo: cinco sinais que nunca devem ser ignorados

Quando uma pessoa agenda uma consulta odontológica, normalmente espera sair com um diagnóstico relacionado a cáries, gengivite ou necessidade de algum tratamento dentário. Mas, em muitos casos, o consultório pode revelar muito mais do que problemas na boca.

Feridas persistentes, sangramentos frequentes, desgaste anormal dos dentes, alterações na saliva e até mudanças na coloração da mucosa podem indicar que algo não vai bem em outras partes do organismo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças bucais afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas em todo o mundo, sendo consideradas um dos problemas de saúde mais comuns da população.

Muitas dessas alterações estão relacionadas não apenas à higiene bucal, mas também a doenças sistêmicas que podem se manifestar inicialmente na cavidade oral.

“O cirurgião-dentista é um profissional que observa diariamente tecidos, mucosas, língua, gengiva e estruturas da boca. Muitas vezes, percebemos alterações que não correspondem apenas a um problema odontológico e que merecem investigação por outros especialistas”, explica o cirurgião-dentista Dr. Alexandre Parreira, especialista em Periodontia, Implantodontia e Odontologia do Trabalho, responsável técnico pelo Instituto Novus Odontologia Moderna e habilitado pelo Conselho Regional de Odontologia (CRO) para a utilização da sedação consciente inalatória.

Segundo ele, esse olhar mais amplo faz parte da odontologia moderna.

“Hoje não cuidamos apenas dos dentes. A boca faz parte do organismo e frequentemente apresenta sinais importantes sobre a saúde geral do paciente.”

Diabetes pode aparecer primeiro na gengiva

Uma das doenças que mais frequentemente apresentam manifestações bucais é o diabetes.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, mais de 16 milhões de brasileiros convivem com a doença, e muitos ainda não sabem que são diabéticos.

Pacientes podem apresentar sangramento gengival frequente, inflamações recorrentes, dificuldade de cicatrização, boca seca e maior predisposição à doença periodontal.

Existe uma relação de mão dupla entre diabetes e doença periodontal. Enquanto o diabetes favorece processos inflamatórios na gengiva, infecções periodontais também dificultam o controle da glicemia.

Na prática clínica, esse tipo de situação acontece com mais frequência do que se imagina.

Recentemente, uma paciente procurou o Instituto Novus apenas por causa de um sangramento gengival persistente. Durante a avaliação clínica, a equipe percebeu que o quadro não era compatível apenas com uma inflamação periodontal comum.

Diante dos sinais observados, ela foi orientada a procurar um endocrinologista para investigação complementar. Após os exames, recebeu o diagnóstico de diabetes.

“Quando a paciente iniciou o tratamento médico e conseguiu controlar a glicemia, a resposta ao tratamento odontológico também foi muito melhor. Esse é um exemplo claro de como a saúde bucal e a saúde geral caminham juntas”, relata Dr. Alexandre.

O desgaste dos dentes pode indicar refluxo

Outro problema frequentemente identificado durante consultas odontológicas é o refluxo gastroesofágico.

O contato constante do ácido do estômago com os dentes provoca desgaste do esmalte, principalmente na parte interna dos dentes superiores.

“O paciente costuma chegar reclamando de sensibilidade ou dizendo que percebeu os dentes mais finos. Muitas vezes encontramos um padrão de desgaste característico que merece investigação médica.”

Além da erosão dentária, o refluxo também pode provocar alterações no hálito e irritação dos tecidos da boca.

Bruxismo pode ser um reflexo do estresse

Dor de cabeça ao acordar, desgaste dos dentes e dores na mandíbula nem sempre têm origem odontológica.

O bruxismo, caracterizado pelo apertamento ou ranger dos dentes, está frequentemente relacionado ao estresse, ansiedade e alterações do sono.

Segundo a Academia Americana de Medicina do Sono, o problema pode comprometer dentes, músculos e articulações da face quando não tratado.

“O dentista muitas vezes é o primeiro profissional a perceber esse desgaste. A partir daí investigamos hábitos, qualidade do sono e histórico do paciente para orientar o tratamento mais adequado.”

Alterações na boca também podem indicar apneia do sono

Embora o diagnóstico da apneia dependa de exames específicos, o cirurgião-dentista consegue identificar fatores anatômicos que aumentam o risco da doença.

Alterações na mordida, formato da arcada, posição da língua e outras características podem indicar necessidade de encaminhamento para um médico especialista em medicina do sono.

A apneia está relacionada ao aumento do risco de hipertensão, doenças cardiovasculares e sonolência excessiva durante o dia.

“Cada vez mais a odontologia trabalha integrada com outras áreas da saúde. Nosso papel é identificar sinais de alerta e orientar o paciente a buscar investigação quando necessário.”

Feridas que não cicatrizam merecem atenção

Uma das principais recomendações dos especialistas é nunca ignorar lesões persistentes na boca.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 15 mil novos casos de câncer da cavidade oral por ano.

Feridas que permanecem por mais de 15 dias, manchas brancas ou avermelhadas, caroços e dificuldade para engolir devem ser avaliados rapidamente.

“O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Muitas pessoas acreditam que uma pequena ferida vai desaparecer sozinha e acabam atrasando a procura por atendimento.”

A prevenção continua sendo o melhor tratamento

Apesar dos avanços tecnológicos da odontologia, muitos brasileiros ainda procuram o dentista apenas quando sentem dor.

Esse comportamento reduz as chances de identificar alterações nas fases iniciais e aumenta a complexidade dos tratamentos.

Além disso, estudos mostram que aproximadamente 15% dos adultos apresentam ansiedade odontológica, condição que leva muitas pessoas a adiarem consultas preventivas.

Segundo o Dr. Alexandre, justamente para esses pacientes a odontologia passou por uma grande transformação.

“Hoje contamos com recursos como a sedação consciente e a anestesia sem agulha, que tornam o atendimento muito mais confortável para quem tem medo ou ansiedade. O nosso objetivo é que o paciente não deixe de cuidar da própria saúde por receio do tratamento.”

Para o especialista, a consulta odontológica deve ser vista como parte do cuidado integral com o organismo.

“A boca conversa com todo o corpo. Quando realizamos avaliações periódicas, conseguimos não apenas preservar dentes e gengivas, mas também identificar sinais importantes que podem contribuir para um diagnóstico precoce de diversas doenças. Quanto antes essas alterações são percebidas, maiores são as chances de um tratamento eficaz.”

Cinco sinais que merecem atenção durante uma consulta odontológica

  • Sangramento frequente na gengiva;
  • Feridas que não cicatrizam em até 15 dias;
  • Desgaste excessivo dos dentes sem causa aparente;
  • Boca seca persistente;
  • Mau hálito contínuo, mesmo com boa higiene bucal;
  • Sensibilidade intensa ou alterações repentinas na coloração da mucosa.

 

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