Debate eleitoral não define eleição, mas dá subsídios para o eleitor comparar projetos e fazer sua escolha. A ausência de Lula, Flávio Bolsonaro e Zema no primeiro debate presidencial promovido pela Bandeirantes não é inédita, mas demonstra o desprezo dos políticos pelo eleitor. Em 1989, Collor também não participou dos debates no primeiro turno. Outros candidatos que estiveram ausentes em alguns debates foram Fernando Henrique Cardoso, o próprio Lula e Bolsonaro.
Um cálculo político explica a ausência dos candidatos: a presença deles acrescenta pouco ou pode comprometer a candidatura. Nesta disputa, existe ainda outro componente, que é uma ferida exposta para os dois: a corrupção. Lula, com o filho suspeito de envolvimento no escândalo do INSS, e Flávio, com Daniel Vorcaro.
Um dos argumentos usados pelas campanhas políticas é o de que existem muitos debates. Ora, o político quer nos governar e não quer se expor? De fato, o número de debates aumentou muito, mas isso não é problema do eleitor.
Sem perguntas constrangedoras, sem embates e sem a necessidade de encarar os oponentes, Lula e Flávio adotaram a velha tática de não se complicarem. Lula concedeu entrevista à Record, no Palácio do Planalto, seu habitat. Lula estava em casa. Flávio também. Publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que quer debater “com quem está destruindo o Brasil”.
Em um claro aceno ao eleitor evangélico, Flávio também disse que, se eleito, pretende decretar “que o Brasil pertence a Jesus Cristo”. Primeiro, o Brasil é um país laico. A Constituição diz isso. A nação não se guia por nenhum credo. Mesmo assim, e as outras religiões?



