Post: A perda de importância da eleição

Fiz meu título de eleitor em 1992, quando completei 16 anos. Mais importante foi só minha carteira de trabalho que obtive dois anos antes, quando era permitido trabalhar aos 14 anos. Meu primeiro local de votação foi o colégio estadual Getúlio Vargas, no centro de Caxias do Sul. Nunca vou esquecer a ansiedade de votar. Na época, o voto era em cédula. Só em 1996, eu já repórter da Rádio Caxias vi a inovação da urna eletrônica. A eleição para prefeito e vereadores foi marcada pela polarização entre petistas (Pepe Vargas) e peemedebistas (Germano Rigotto). Apesar dos ataques e do clima tenso, o ambiente era de respeito. Tanto que logo depois do resultado em que Pepe Vargas venceu, Rigotto tratou de reconhecer a vitória fazendo uma ligação ao seu opositor Pepe Vargas, prefeito eleito. Aquele ambiente tenso mas de respeito, deu lugar para a hostilidade e a agressão. Os políticos não se vêem mais como rivais, mas sim como inimigos. Temos um STF intimamente envolvido com o pivô do maior escândalo financeiro. Um Congresso que tentou de blindar e não conseguiu (PEC da blindagem). O mesmo Congresso que tem R$4,9 bilhões de dinheiro público para fazer campanha, com o Fundo Eleitoral. Também dispõe de R$61 bilhões para emendas. Deputados e senadores também ligados a Daniel Vorcaro. Basicamente, um Poder que está à venda. Sem falar na propaganda política, um verdadeiro deserto de ideias. Desde o início dos programas obrigatórios, em agosto, não ouvi nenhum candidato falar coisas que realmente podem arrumar o país, como reformas estruturais, melhoria na saúde, educação e segurança. Como se sentir ansioso, como me senti em 1992?

Foto: Tribunal Superior Eleitoral/TSE/Arquivo

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