Com frente ampla consolidada pela saúde nacional, a Academia Nacional de Medicina (ANM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) oficializaram apoio ao manifesto pelo banimento das bets e cassinos online no Brasil.

O posicionamento tem autoria da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que se manifestou em apoio à Medida Provisória nº 1.394/2026 durante o XLIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria (CBP), no último dia 28/10 em São Paulo.

“A desgraça chegou às famílias, com pessoas comprometendo o próprio salário e sendo levadas ao adoecimento e ao suicídio”, alertou o presidente da ABP no evento, o Dr. Antônio Geraldo da Silva. “Precisamos manter o veto no STF e aprovar a MP para banir as bets e o cassino 24 horas. A vida da população brasileira não pode ser colocada em jogo.”

Agora, a adesão de demais instituições de renome e credibilidade, tal qual a ANM, a AMB e o CFM, fortalece a defesa da medida provisória, que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. O grupo destaca que interesses econômicos não podem se sobrepor à vida e à saúde mental da população, respaldando integralmente as restrições regulatórias severas para conter a crise.

Além do banimento, o manifesto da ABP cobra assistência imediata aos afetados e políticas públicas e tratamento psiquiátrico gratuito no SUS para ludopatia. Afinal, proibir as apostas online não extingue a doença mental já instalada.

Na vanguarda da luta pela saúde no Brasil

Sob o lema “A vida não é uma aposta”, a iniciativa foi ovacionada pelos médicos presentes na solenidade de abertura do CBP SP 2026, que marcou a celebração de 60 anos da ABP e seu histórico de lutas e conquistas em favor da psiquiatria brasileira.

A associação foi pioneira ao alertar sobre os riscos das bets, com atuação na CPI das Bets no Senado, em 2025, onde Dr. Antônio Geraldo foi convidado a apontar as consequências sociais nocivas da atividade.

Lá, evidenciou que o transtorno do jogo já se configurava como a terceira dependência mais frequente no país. Antes, o parecer científico da ABP já havia sido solicitado em audiências públicas no STF no fim de 2024, que avaliavam os impactos das apostas online sob a ótica da saúde pública.