O Agosto Dourado, campanha dedicada à conscientização e ao incentivo ao aleitamento materno, também é um ótimo momento para chamar a atenção a outro cuidado essencial para a saúde da mãe e do bebê: o controle da pressão arterial durante a gestação e após o parto. O mês também celebra o Dia da Gestante, em 15 de agosto, data que amplia esse alerta.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que cerca de 300 mil mulheres perdem a vida a cada ano em decorrência de complicações relacionadas à gravidez e ao parto, o equivalente a um óbito a cada dois minutos no mundo.
O Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC) destaca que a aferição da pressão arterial faz parte das consultas de pré-natal justamente porque alterações nos níveis pressóricos podem surgir mesmo em mulheres que nunca apresentaram hipertensão arterial, e a identificação precoce dessas mudanças permite iniciar o tratamento adequado e reduzir o risco de complicações para a gestante e para o bebê.
Segundo a vice-presidente do DHA/SBC, Dra. Sayuri Inuzuka, a gravidez exige um esforço maior do sistema cardiovascular.
“Durante a gestação, o coração trabalha mais para atender às necessidades da mãe e do bebê. Embora essas adaptações sejam naturais, algumas mulheres podem desenvolver hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia ou, em casos mais raros, cardiomiopatia periparto, uma forma grave de insuficiência cardíaca que pode surgir no final da gravidez ou logo após o nascimento do bebê. Por isso, os cuidados não terminam com o parto”, explica.
Nem toda pressão alta é igual durante a gestação
A pressão arterial alta pode aparecer pela primeira vez durante a gravidez, mesmo em mulheres que nunca tiveram esse problema. A hipertensão gestacional, que surge após a 20ª semana e, na maioria dos casos, desaparece algumas semanas depois do parto.
Ainda assim, ela exige acompanhamento pois pode evoluir para quadros mais graves. Já as mulheres que já conviviam com a hipertensão arterial antes de engravidar também precisam de atenção redobrada durante todo o pré-natal, já que o risco de complicações é maior.
A Dra Sayuri explica que, entre as complicações que mais preocupam os especialistas está a pré-eclâmpsia, condição caracterizada pelo aumento da pressão arterial associado a alterações em diferentes órgãos do corpo.
“A pré-eclâmpsia é preocupante porque pode provocar alterações em órgãos como rins e fígado, e comprometer o desenvolvimento do bebê no final da gravidez. Um dos sinais que podem aparecer é a presença de proteínas na urina, que pode deixá-la com aspecto mais espumoso. O diagnóstico precoce faz toda a diferença para evitar que o quadro evolua”, ressalta a cardiologista.
Quando não identificada e tratada a tempo, a pré-eclâmpsia pode evoluir para a eclâmpsia, uma complicação rara, porém grave, marcada pela ocorrência de convulsões e que exige atendimento de urgência.
Por isso, manter o pré-natal em dia e reconhecer os sinais de alerta são medidas indispensáveis para proteger a saúde da mãe e do bebê.
A seguir, a médica listou alguns sintomas que merecem atenção durante a gravidez e podem estar relacionados à pré-eclâmpsia.
Entre os principais sinais estão:
- dor de cabeça intensa e persistente;
- visão embaçada ou alterações na visão;
- sensibilidade à luz;
- inchaço repentino, principalmente no rosto e nas mãos;
- dor na parte superior da barriga;
- náuseas e vômitos;
- falta de ar.
“Caso qualquer um deles apareça durante a gestação, a recomendação é procurar atendimento médico o quanto antes. O acompanhamento adequado é a melhor forma de prevenção e tratamento”, orienta.
Depois que o bebê nasce, o cuidado continua
O nascimento do bebê marca o início de uma nova fase, mas não o fim dos cuidados com a saúde da mãe. Segundo a Dra. Sayuri Inuzuka, o coração ainda leva algumas semanas para voltar ao funcionamento habitual após a gestação.
Além disso, o puerpério, período de 30 dias após o parto, é um período de grandes mudanças hormonais, noites mal dormidas e adaptação à nova rotina, fatores que podem sobrecarregar o sistema cardiovascular, principalmente em mulheres que tiveram pressão alta durante a gravidez. Manter o acompanhamento médico também após o parto é fundamental.
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