Post: Exposição “AMARP no Arquivo: 50 anos de narrativas, resistência e preservação” celebra os 50 anos do Arquivo Histórico Municipal

A Secretaria Municipal da Cultura (SMC), por meio do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami e da Unidade de Artes Visuais (UAV), promove a exposição AMARP NO ARQUIVO: 50 anos de narrativas, resistência e preservação, em celebração aos 50 anos do Arquivo Histórico Municipal.

A mostra será aberta no dia 11 de agosto e permanecerá em cartaz até 25 de outubro de 2026, com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h, na sede do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Por meio de desenhos, gravuras e registros visuais, os artistas transformam a construção em objeto de observação e interpretação, revelando não apenas suas características formais, mas também as camadas de tempo inscritas em suas paredes.

Mais do que representar uma arquitetura, as obras evidenciam a capacidade das Artes Visuais de preservar e reativar patrimônios culturais.

O desenho e a gravura operam nesta exposição como formas de memória, registrando detalhes, atmosferas e significados que muitas vezes escapam à narrativa documental.

Com obras de Roberto Mendes, Rita Brugger e Beatriz Balen, cada traço testemunha as transformações urbanas.

A história do prédio amplia ainda mais essa reflexão. Construído no início do século XX, o imóvel foi originalmente residência e casa comercial da família Rovea.

Entre 1925 e 1934, funcionou no mesmo local o Hospital Beneficente Santo Antônio, que desempenhou um importante papel na assistência médica da comunidade caxiense.

Na época das comemorações do Centenário da Imigração Italiana, Caxias do Sul percebeu que parte da sua memória estava sendo apagada.

Em 1979, uma ameaça de demolição fez ressurgir histórias que permaneciam vivas na memória de muitos: a Casa de Negócios de Vicente Rovea, a Casa de Saúde do Dr. Romolo Carbone e o dia a dia dos moradores da Caipora, que buscavam ali a satisfação de necessidades básicas como alimentação, saúde e convívio social.

A morada de muitas famílias estava com os dias contados: os moradores receberam avisos para deixarem o prédio.

Diante da ameaça de demolir mais esse elemento significativo da arquitetura da cidade, surgiu uma campanha para preservá-lo.

O Museu e Arquivo Histórico Municipal deu início à mobilização, envolvendo artistas, estudantes do curso de Artes, professores, arquitetos, engenheiros, intelectuais e outros representantes da comunidade.

A preservação do edifício marcou uma mudança significativa na relação de Caxias do Sul com seu patrimônio cultural. Sua própria trajetória tornou-se um exemplo de como a preservação pode atribuir novos sentidos a um bem histórico sem apagar suas marcas anteriores.

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado em 1986 e pelo Município de Caxias do Sul desde 2002, a edificação é sede do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami desde 1999, instituição que, há quase 50 anos, vem se consolidando como espaço de preservação documental, acesso à informação e difusão da história regional.

Ao reunir representações artísticas dessa construção emblemática, a exposição propõe um encontro entre arte, arquitetura e memória.

As obras do AMARP, que recentemente celebrou seus 50 anos de trajetória desde sua criação como Pinacoteca Aldo Locatelli, em 1975, não apenas retratam um edifício, mas evidenciam a permanência de histórias que atravessam diferentes épocas e funções.

Entre residência, hospital e arquivo, o prédio permanece como um lugar de passagem e preservação, onde a arte atua como instrumento sensível de reconhecimento, valorização e continuidade do patrimônio cultural de Caxias do Sul.

 

Foto: Beatriz Balen

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