Frente a um cenário alarmante de aumento das estatísticas e da gravidade dos casos de violência contra a mulher, a prevenção e a conscientização deixam de ser apenas campanhas pontuais para se tornarem instrumentos vitais de sobrevivência e proteção. Em Caxias do Sul, o mês de agosto reafirmou essa prioridade com uma intensa mobilização comunitária no âmbito do Agosto Lilás — campanha instituída na cidade pela Lei Municipal nº 8.488/2020.
Promovida pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SMASC), através da Coordenadoria da Mulher em parceria com o Centro de Referência da Mulher (CRM), a programação reuniu palestras, rodas de conversa, painéis, exposições e ações educativas. Ao longo de 31 dias, as atividades impactaram diretamente 1.042 pessoas, abrangendo escolas, universidades, empresas, entidades assistenciais, servidores públicos e a comunidade em geral.
Paralelamente ao trabalho pedagógico, a busca direta por apoio evidenciou o peso da demanda local: no mesmo período, o CRM realizou 773 atendimentos a mulheres por meio de busca espontânea, acolhimento e assistências presenciais ou a distância. O dado comprova a importância de manter portas abertas e serviços públicos preparados para orientar e resguardar vítimas em situação de vulnerabilidade.
Trabalhar a prevenção no ambiente municipal é um passo decisivo para romper o ciclo da violência antes que ele resulte em tragédias irreversíveis. A conscientização em massa ajuda a população a identificar os primeiros sinais de abusos (sejam psicológicos, patrimoniais ou físicos), além de encorajar denúncias e mostrar a rede de apoio disponível no município.
A edição deste ano do Agosto Lilás ganhou relevância histórica ao coincidir com as duas décadas de promulgação da Lei Maria da Penha — marco jurídico fundamental na proteção aos direitos das mulheres no Brasil. Entre as iniciativas de maior impacto visual e reflexivo em Caxias do Sul estiveram:
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Inauguração de Bancos Vermelhos: Símbolos internacionais de conscientização instalados no Parque dos Macaquinhos, no Centro Especializado de Saúde (CES) e no SENAI (este último pintado pelos próprios alunos).
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Projeto Masculinidade Consciente: Ações direcionadas a homens para provocar a reflexão sobre comportamentos, respeito e a desconstrução de padrões agressivos.
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Ações Culturais e Educativas: Abertura de exposição sobre a Lei Maria da Penha no CES, iluminação temática do Monumento Cristo do Terceiro Milênio e debates em instituições como UCS, SENAC, Centro de Formação Profissional Murialdo e Projeto Pescar.
Segundo Jeane Schulz, titular da Coordenadoria da Mulher, os números alcançados refletem a importância das atividades que foram desenvolvidas e o seu impacto na sociedade.
“Precisamos continuar trabalhando na prevenção, na informação e na transformação de comportamentos e de uma cultura que ainda naturaliza diferentes formas de violência. O Agosto Lilás é mais um momento de levar essa conversa para todos os espaços, fortalecendo a responsabilidade de cada pessoa na construção de relações baseadas no respeito”, ressaltou Jeane.
O balanço do mês reafirma a convicção de que, para deter a escalada dos crimes de gênero, o poder público e a sociedade civil precisam atuar de forma contínua no fortalecimento da rede de proteção, na educação de jovens e adultos e na garantia de acolhimento seguro a todas as mulheres.
“Muito bom perceber o quanto esses encontros aproximam e fortalecem. Porque o enfrentamento à violência não é uma responsabilidade individual. Quando diferentes pessoas se unem, dialogam e se reconhecem como parte dessa construção, o coletivo se torna uma importante força para romper ciclos de violência e construir uma sociedade mais segura para todas as mulheres”, destaca Tatiana Leidens, gerente do CRM.



