Agosto Verde Claro marca o mês de conscientização sobre a leishmaniose, uma das zoonoses de maior impacto no Brasil e que vem ampliando sua presença em diferentes regiões do país, inclusive em áreas urbanas.
Celebrado em 10 de agosto, o Dia Nacional de Combate à Leishmaniose reforça a importância da informação e, principalmente, da prevenção para reduzir os riscos da doença, que pode acometer tanto cães quanto seres humanos e outros animais.
A leishmaniose visceral é causada por um protozoário do gênero Leishmania e transmitida pela picada do flebotomíneo infectado, conhecido popularmente como mosquito-palha.
A doença apresenta evolução crônica e, quando não tratada, pode levar ao óbito em até 90% dos casos em humanos. O Brasil concentra cerca de 94% dos casos de leishmaniose visceral registrados nas Américas¹, reforçando o papel estratégico do país no enfrentamento da doença.
Apesar de os cães não serem transmissores diretos da doença, eles exercem papel importante no ciclo de contágio em humanos: quando um mosquito-palha pica um cão infectado, ele pode adquirir o protozoário e, posteriormente, transmiti-lo a outros animais ou a pessoas ao realizar uma nova picada.
Por isso, proteger os animais contra o vetor é uma das principais medidas recomendadas pelas autoridades de saúde dentro de uma estratégia integrada de controle da zoonose.
“A leishmaniose ainda é uma das zoonoses mais desafiadoras e de maior impacto no Brasil, de potencial fatal tanto para cães quanto para humanos. Muitas vezes, quando percebemos os sinais clínicos, a doença já está em estágio avançado e o tratamento se torna limitado, já que não existe cura definitiva. Por isso insistimos tanto na prevenção. Ela deve ser uma prioridade de saúde pública e precisa começar com a decisão do responsável em proteger seu cão”, afirma a Profa. Me. Romeika Reis, médica-veterinária e membro do Brasileish – Grupo de Estudos em Leishmaniose Animal.
Prevenção antes dos primeiros sinais da doença
Um dos principais desafios da leishmaniose é que os cães podem permanecer assintomáticos por longos períodos ou apresentar sinais inespecíficos, como emagrecimento, apatia, lesões de pele, crescimento exagerado das unhas e aumento dos linfonodos. Por isso, esperar o aparecimento dos sintomas não é uma boa estratégia.
Entre as medidas preventivas recomendadas por especialistas, estão:
- Encoleiramento de cães com produtos com ação repelente contra o mosquito-palha;
- Evitar passeios ao entardecer ou início da manhã, períodos de maior atividade do mosquito-palha;
- Manter o calendário de consultas veterinárias em dia;
- Manter quintais e áreas externas limpos, reduzindo locais favoráveis ao vetor;
- Telar janelas para impedir a entrada do mosquito no ambiente doméstico;
- Consultar o médico-veterinário sobre as estratégias de prevenção mais adequadas para cada região do país;
- Realizar acompanhamento veterinário anualmente para garantir o bem-estar do animal.
Saúde animal e saúde humana caminham juntas
O combate à leishmaniose depende da atuação conjunta entre poder público, médicos-veterinários e responsáveis por animais.
A conscientização da população sobre a doença e a adoção de medidas preventivas são fundamentais para reduzir a circulação do parasita e proteger animais e pessoas.
“Quando falamos em prevenção da leishmaniose, estamos falando de um compromisso com a saúde única. Proteger o cão contra o mosquito transmissor significa contribuir para reduzir o risco de circulação da doença e fortalecer as estratégias de saúde pública. A informação e a prevenção continuam sendo nossas ferramentas mais importantes”, conclui a professora Romeika Reis.
Foto: Divulgação/Zoetis



