A história do teatro gaúcho tem sido registrada em uma série de gravações que tiveram início nos últimos dias em Porto Alegre, reunindo atores, diretores e técnicos que ajudaram a formar a identidade das artes cênicas do Rio Grande do Sul.
A iniciativa faz parte do Arquivo das Artes, programa voltado à preservação e à difusão da produção artística gaúcha, criado pelo Banrisul Cultural.
Com curadoria do jornalista, escritor e crítico Antonio Hohlfeldt e da historiadora, pesquisadora e atriz Juliana Wolkmer, o projeto tem se debruçado sobre a trajetória de peças emblemáticas, documentando mais de cinco décadas da produção de artes cênicas do Estado.
A mais antiga é a Ópera dos três vinténs, que estreou nos palcos em 1969 com direção de Luiz Paulo Vasconcellos, e a mais recente é Hamlet sincrético, que chegou ao público em 2005, assinada pelo diretor e dramaturgo Jessé Oliveira, com participação de grande nomes, como a atriz e cantora Glau Barros.
Entre os espetáculos já registrados nas filmagens também estão Bailei na curva (1983), revisitado pelo diretor Julio Conte e pela atriz Catharina Conte; Decameron (1993), lembrado pelo iluminador Mário Cavalheiro e pelo ator Roberto Oliveira; Maragato (1988), tema dos depoimentos do diretor Valter Sobreiro Junior e da atriz Simone Passos; e Crônica da cidade pequena (1984), dirigida por Maria Helena Lopes, com relatos dos artistas Sérgio Lulkin e Luiz Acosta.
Nos próximos dias, ainda haverá captações dedicadas a Mockinpott (1975), de José Luiz Gomez; Salão grená (1980), de Irene Brietzke; A maldição do vale negro (1986), de Luís Artur Nunes; e Aos que virão depois de nós – Kassandra in process (2002), da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.
O resultado poderá ser conferido pelo público até o final deste ano no acervo do Arquivo das Artes, que ficará disponível gratuitamente em uma plataforma digital para pesquisa e fruição pública.
“O Banrisul Cultural entende que preservar a memória da produção artística gaúcha é uma forma de fortalecer a identidade cultural do Estado. Com episódios dedicados a obras marcantes da nossa história, o Arquivo das Artes contribui para que esse patrimônio seja valorizado e registrado, permanecendo acessível às futuras gerações”, explica Beatriz Araujo, diretora-geral do Banrisul Cultural.
Além dos depoimentos dos convidados, os documentários contam com imagens de acervo, registros históricos e reflexões sobre o contexto em que os espetáculos foram produzidos.
Os episódios são assinados pela produtora de cinema e televisão GM/2 Filmes. São mais de 20 pessoas na equipe de bastidores, entre eles o diretor e roteirista Diego Müller, a diretora de produção Deise Chagas e a diretora de arte Carol Scortegagna.
Mais sobre o Arquivo das Artes
Além dos conteúdos sobre teatro, o Arquivo das Artes tem fomentado produções em outros segmentos artísticos.
Na área literária, estão sendo registrados bate-papos sobre livros marcantes, mediados pela escritora e editora Lu Thomé, dentro da programação do Clube do Livro 60+, parceria do Banrisul Cultural com a associação Acervo Literário Erico Verissimo (ALEV).
Já na área da música nativista, o projeto criou os saraus Conta uma Canção, em que os músicos Érlon Péricles e Vinicius Brum convidam o público a conhecer as histórias por trás de canções marcantes.
Os registros audiovisuais têm direção de Henrique de Freitas Lima e recebem compositores e intérpretes em rodas de conversa inspiradas nas tradicionais prosas de galpão.
Foto: GM 2 Filmes



