Post: Bolsonarismo é diferente de conservadorismo

Um pouco antes do primeiro turno, um amigo que é conservador e estuda o conservadorismo, me disse que não votaria em Flávio Bolsonaro. Em 2018, ele votou em Jair. No início, ficou feliz com a renovação. Aos poucos, ele começou a se frustrar. Enquanto um parente dele estava internado com Covid, Bolsonaro desdenhava do poder destrutivo da doença. Depois, houve o episódio com a deputada Carla Zambelli perseguindo um opositor com arma em punho. O fato derradeiro foi a tentativa de golpe no dia 08 de janeiro. Bolsonaro e seus asseclas não aceitavam a derrota. Houve quebradeira em Brasília, evento que resultou na condenação de mais de 1400 pessoas, entre elas, Jair Bolsonaro. A atitude de Bolsonaro contrasta com os ideais conservadores. Uma de suas premissas foi desenvolvida por Edmund Burke, no fim do século XVIII, ao analisar a Revolução Francesa. Ele disse que a população tem todo o direito de não gostar de um governo, mas ressalta que a constituição, as leis e os costumes carregam um peso enorme das gerações passadas e não podem ser destruídas. Por isso, foi um crítico ferrenho da revolução. No livro Reflexões sobre a Revolução na França, ele previu que o ato de destruir instituições poderia resultar no surgimento de um regime autoritário, como de fato ocorreu pouco tempo depois, com o militarismo de Napoleão. Os ideais conservadores são importantes para o nosso sistema político, como são as ideias da esquerda. Imaginem se vivêssemos num país onde todo mundo pensa da mesma forma? O conservadorismo não prega isso. Pelo contrário, prega a liberdade como algo essencial. Ao não aceitar a derrota, fugir para os Estados Unidos e publicar uma carta em tom golpista, Flávio contraria os princípios conservadores. O slogan Deus, Pátria e Família que ele o pai usaram, é o mesmo usado pelo Integralismo, um movimento fascista brasileiro dos anos 30. Em 1938, inconformados com Getúlio Vargas, eles tentaram um golpe e foram reprimidos com força pelo governo Getúlio Vargas. Anos mais tarde, remanescentes do Integralismo, como o general Mourão Filho , que ajudou a articular o golpe de 64. Um dos torturadores da ditadura foi o gaúcho Carlos Brilhante Ustra, homenageado pelo então deputado federal Jair Bolsonaro na votação do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. O golpismo não tem nada a ver com o conservadorismo. A direita tem muitos nomes bons, mas enquanto ficar na mão da família Bolsonaro, vai ser vista como golpista e continuar traindo os ideais conservadores.

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