Post: Brasil, o país dos privilégios

Imagine a seguinte situação: você tem um amigo que mora na Suécia, país onde os políticos vão ao trabalho de bicicleta ou transporte público e onde os conceitos de moralidade e ética na política são extremamente importantes. Seu amigo imaginário gosta do Brasil, viaja pra cá uma vez por ano. Conhece os locais mais visitados pelos turistas: Rio de Janeiro e as praias do nordeste. Ressalta o acolhimento do povo, a qualidade da comida, a beleza cultural do país, a força do turismo, da indústria e do comércio. Numa dessas visitas, leve seu amigo para conhecer o outro lado do Brasil, a capital. Aquele lado que o turista não costuma visitar. Conte pra ele que o imponente Palácio do Planalto é ocupado hoje por um presidente que já foi preso. Que o processo criminal contra ele foi julgado por um juiz que abandonou o caso no meio para ser ministro de seu rival. O rival hoje está preso ,foi condenado a 27 anos por tentativa de golpe. Esse presidente, no início da pandemia, disse que a COVID era só uma “gripezinha”. O ex-juiz é hoje governador eleito em primeiro turno de um dos estados mais pujantes do país. Que o presidente de um dos maiores partidos do país já foi detido por porte ilegal de arma durante uma operação de combate à corrupção. A ex-esposa dele contou que quando ele era deputado recebia dinheiro em mala. Esse homem se chama Valdemar Costa Neto. Hoje ele é responsável pela distribuição de dinheiro público para fazer campanha. Isso mesmo, a campanha eleitoral no Brasil é financiada com o nosso dinheiro. Nesse ano, foram R$4,9 bi, o equivalente a cerca de 700 milhões de euros. Conte também que um escândalo bilionário marcou o processo eleitoral em 2026. Ministros da Suprema Corte, empresários e políticos de vários partidos, da esquerda à direita, estavam intimamente envolvidos com o banqueiro que concebeu o golpe e hoje está preso. Seu amigo hipotético já deve estar saturado de saber as aberrações do outro lado do Brasil, aquele que o turista não vê, mas persiste. Conte pra ele que aqui os parlamentares são ordenadores de despesa: os deputados federais e senadores tiveram R$61 bilhões em emendas parlamentares. Esses mesmos políticos que integram o Congresso mais caro do mundo, têm 25 assessores, recebem mais de R$100 mil por mês de verba de gabinete. E agora, os eleitores vão escolher seu novo presidente. Um dos candidatos é aquele que foi preso e disputa o quarto mandato, contra um outro candidato que é filho daquele ex-presidente que está preso. Não se envergonhe, seu amigo hipotético merece conhecer o outro lado do Brasil, aquele que nos envergonha.

 

Foto: Magnific

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