Azia, refluxo, desconforto no estômago, perda de apetite e náuseas são sintomas comuns e, na maioria das as vezes, estão relacionados a problemas digestivos que não são graves. Quando aparecem pela primeira vez, persistem ou mudam de característica, porém, a recomendação é procurar avaliação médica.
O alerta é da oncologista clínica Maria Ignez Braghiroli. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 22.530 novos casos de câncer de estômago por ano entre 2026 e 2028. Desse total, 13.830 devem ocorrer em homens e 8.700 em mulheres.
Entre os homens, o câncer de estômago é o quarto tipo mais incidente, sem considerar os tumores de pele não melanoma. Em 2024, 14.917 pessoas morreram em decorrência da doença no país.
“Isso não significa que uma pessoa com azia ou dor de estômago tenha câncer. Na enorme maioria das vezes, não terá. Mas um sintoma novo, persistente ou progressivo não deve ser normalizado, principalmente em alguém com fatores de risco”, afirma Maria Ignez.
Sintomas podem ser confundidos
Nas fases iniciais, o câncer gástrico pode não apresentar sintomas ou provocar manifestações semelhantes às de gastrite, refluxo e úlcera.
Entre os sinais que merecem atenção estão perda de peso sem explicação, falta de apetite, náuseas, vômitos, dor ou desconforto na parte superior do abdômen e sensação de estômago cheio.
A evolução dos sintomas também é um fator importante para a investigação, segundo a oncologista.
“Um refluxo que muda de característica ou não melhora com o tratamento, uma úlcera que não responde como esperado, perda de peso, vômitos ou anemia sem uma causa que explique o quadro são situações que precisam levar à investigação”, explica.
No Brasil, não há recomendação de rastreamento populacional para o câncer de estômago em pessoas sem sintomas. Quando há suspeita, um dos principais exames utilizados é a endoscopia digestiva alta, que permite observar o estômago e coletar material para biópsia quando são encontradas alterações.
Tratamento depende do estágio
O tratamento varia de acordo com o estágio e as características do tumor. Em casos iniciais e selecionados, pode ser possível retirar a lesão por meio de procedimento endoscópico.
Quando o câncer está localizado, a cirurgia é uma das principais formas de tratamento e pode ser combinada com medicamentos antes ou depois da operação. Nos casos em que a doença já atingiu outros órgãos, o tratamento é principalmente sistêmico.
“Faz toda a diferença identificar em que momento essa doença foi descoberta. Em uma fase muito inicial, há situações em que conseguimos tratar pela própria endoscopia. Conforme a doença avança, a estratégia se torna mais complexa e pode exigir a combinação de diferentes modalidades de tratamento”, afirma Maria Ignez.
A definição do tratamento pode envolver diferentes especialistas, de acordo com o estágio da doença, as características do tumor e as condições clínicas do paciente.
Fatores de risco
A infecção pela bactéria Helicobacter pylori está entre os principais fatores associados ao câncer de estômago. Também estão relacionados ao aumento do risco o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas, o excesso de peso e o consumo elevado de sal e de alimentos salgados ou conservados em sal.
“Quando pensamos no futuro do câncer gástrico no Brasil, precisamos olhar para várias frentes. Prevenção passa por melhores condições de vida e hábitos mais saudáveis. Depois, há o desafio de ampliar o acesso ao diagnóstico e compreender cada tumor de maneira cada vez mais individualizada”, afirma a médica.
Pesquisas na área de oncologia também buscam identificar características biológicas específicas dos tumores para orientar o tratamento. Entre as ferramentas estudadas estão exames moleculares e a análise de DNA tumoral circulante.
Foto: Magnific/ banco de imagens




