Plano já está em fase de execução com ações práticas, capacitações e integração entre órgãos e comunidade
Dois anos após os desastres de 2024, que causaram impactos significativos no município, a Prefeitura segue investindo em ações de recuperação e, principalmente, em prevenção. Diante da possibilidade de novos eventos extremos, o município está colocando em prática o seu Plano de Contingência, com foco na organização da resposta e na proteção da população.
Uma das ações que faz parte da programação é o treinamento em escolas. Na última sexta-feira (08), esta etapa teve início na EMEF Dolaimes Stedile Angeli, com treinamento para os professores.
A iniciativa envolve poder público, iniciativa privada e comunidade, com o objetivo de preparar a cidade para saber o que fazer nas inundações e deslizamentos. O plano começou a ser estruturado ainda em 2024 pela Defesa Civil, vinculada à Secretaria de Segurança Pública, e ganhou força no início de 2025, com a assinatura de um convênio internacional que garantiu recursos para sua execução.
Planejamento estruturado e execução em andamento
Com investimento viabilizado por meio de parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), foi contratada a empresa Hopeful, especializada em gestão de desastres com experiência nacional e internacional, para auxiliar na elaboração e implementação do plano.
O CEO da empresa, Abner de Freitas, destaca que o diferencial do trabalho em Caxias do Sul está na forma como o plano vem sendo construído: “Caxias está desenvolvendo um plano com uma lógica muito operacional e territorializada. Não é apenas um documento geral, mas um planejamento que considera os riscos concretos do município, suas regiões, distritos, recursos disponíveis e fluxos reais de resposta.”
Segundo ele, isso torna o plano mais aplicável em situações de emergência, permitindo respostas mais rápidas e eficientes.
Outro ponto importante é a integração entre diferentes frentes: “O plano não se limita a definir responsabilidades institucionais. Ele envolve capacitação de pessoas, uso de tecnologia, protocolos operacionais, comunicação com a população e organização de voluntários.”
Etapas e ações previstas
O Plano de Contingência já está em execução e contempla uma série de ações práticas e estratégicas, entre elas:
- Análise de cenários de risco
- Elaboração de mapa cartográfico digital do município
- Identificação e mapeamento de abrigos públicos e privados em locais seguros
- Definição de protocolos de evacuação
- Realização de audiências públicas
- Execução de simulados (dois de campo e cinco de mesa)
Ao todo, o plano envolve a atuação integrada de 18 órgãos e entidades, incluindo secretarias municipais, forças de segurança e instituições que atuam em situações de crise. Grupos de trabalho já estão em atividade, com reuniões em regiões como Galópolis, além da área urbana.
Outro eixo importante é o uso de soluções digitais para apoiar a tomada de decisão. O plano prevê ferramentas para mapeamento de áreas de risco, localização de recursos, cadastro de estruturas de apoio e comunicação entre equipes e população. “A tecnologia entra para dar mais agilidade, precisão e integração à resposta durante a emergência”, destaca Abner.
Capacitação e envolvimento da comunidade
Um dos pilares do plano é a formação de pessoas para atuação em situações de emergência. Entre as ações previstas está um programa de capacitação em escolas do município. A proposta inicia com a formação de pais e professores e, posteriormente, dos alunos, incluindo treinamentos de evacuação. A iniciativa é baseada em um modelo australiano já aplicado internacionalmente.
A primeira escola a receber a formação foi a EMEF Dolaimes Stedile Angeli que teve o primeiro encontro com professores na sexta (08). “A ideia é fortalecer a cultura de prevenção desde a comunidade escolar, com orientação sobre riscos, rotas de evacuação e condutas em situações de emergência”, explica Abner.
O plano também prevê cursos para voluntários, com a formação inicial de quatro turmas de 50 pessoas. A medida busca organizar e qualificar a atuação da população em momentos críticos.
O coordenador da Defesa Civil de Caxias do Sul, tenente Armando da Silva, ressalta que a experiência de 2024 evidenciou a importância da organização: “Tivemos um volume muito grande de voluntários, o que foi positivo. Mas muitas ações aconteceram ao mesmo tempo, sem coordenação. O plano vem justamente para organizar isso.”
Segundo ele, a proposta é cadastrar, treinar e integrar os voluntários a uma estrutura centralizada, garantindo mais eficiência e segurança nas ações.
Plano em constante atualização
A expectativa é de que a implementação das principais etapas do plano esteja concluída até meados de setembro. No entanto, o trabalho não se encerra com a finalização do documento.
De acordo com o tenente Armando, o plano será permanente e passará por revisões constantes: “É algo que não termina. Vamos nos reunir pelo menos uma vez por mês para atualizar o plano e reavaliar os cenários. Há áreas que hoje são de risco e podem deixar de ser, assim como outras podem passar a exigir atenção. Temos que nos manter sempre atualizados.”
Foto: Divulgação Defesa Civil






