Post: Colesterol alto age em silêncio e pode comprometer as artérias antes dos primeiros sintomas

Quando se fala em colesterol elevado, a principal associação costuma ser com o infarto. No entanto, o excesso de colesterol também afeta as artérias de todo o organismo e pode contribuir para o surgimento de problemas vasculares, como doença arterial periférica, acidente vascular cerebral (AVC) e estreitamento das artérias renais.

Em casos mais avançados de comprometimento da circulação dos membros, a doença arterial periférica pode levar a feridas de difícil cicatrização e até à necessidade de amputação.

O alerta ganha destaque no Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, que reforça a importância do diagnóstico precoce e da adoção de medidas para reduzir complicações.

Segundo a cirurgiã vascular e membro do Departamento de Cirurgia Experimental, Pesquisa e Educação Médica Continuada da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), Dra. Inez Ohashi Torres, os níveis elevados de colesterol, principalmente o LDL (conhecido como “colesterol ruim”), favorece a aterosclerose, processo caracterizado pelo acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias.

“Essas placas se formam de maneira lenta, estreitam os vasos sanguíneos e dificultam a passagem do sangue para os tecidos. É uma alteração silenciosa, que pode evoluir por muitos anos sem sintomas e só ser percebida quando a circulação já apresenta algum prejuízo”, explica a especialista.

Colesterol elevado afeta diferentes órgãos

Embora o coração seja um dos principais órgãos afetados pela aterosclerose, outras regiões do sistema vascular também podem sofrer consequências.

Nas pernas, por exemplo, o acúmulo de placas de gordura está relacionado à doença arterial periférica, que reduz o fluxo sanguíneo e pode causar dor durante a caminhada, conhecida como claudicação intermitente.

“Em fases mais avançadas, o paciente pode apresentar dor mesmo em repouso, feridas que não cicatrizam e risco de perda do membro. Além disso, a doença arterial periférica funciona como um sinal de alerta, pois indica que outras artérias do organismo podem estar comprometidas”, afirma Dra. Inez.

Nas artérias carótidas, o acúmulo de placas nas artérias aumenta a possibilidade de AVC. Já o estreitamento das artérias renais pode favorecer o aumento da pressão arterial e alterações na função dos rins.

Diagnóstico precoce ajuda a prevenir complicações

Um dos maiores desafios é que o colesterol alto costuma evoluir de forma silenciosa. A formação das placas ocorre progressivamente e pode ser influenciada por fatores como hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, sedentarismo e histórico familiar.

“Não devemos esperar o aparecimento de sintomas para investigar o colesterol. Os exames de sangue permitem identificar alterações precocemente e iniciar medidas preventivas antes que haja uma alteração vascular importante”, ressalta a especialista.

Entre os sinais que merecem atenção estão dor no peito durante esforço físico, dor nas pernas ao caminhar, sensação de frio ou mudança de coloração nas extremidades, feridas de difícil cicatrização e alterações súbitas de fala, força, visão ou equilíbrio.

Pessoas magras também podem ter colesterol elevado

O colesterol alto não está necessariamente associado ao excesso de peso. Pessoas magras também podem apresentar níveis elevados, principalmente por fatores genéticos e alterações no metabolismo.

“A maior parte do colesterol presente no organismo é produzida pelo próprio fígado. Por isso, uma pessoa magra também pode apresentar colesterol elevado, dependendo da genética, da alimentação e de outros fatores”, explica Dra. Inez.

A atenção deve ser maior em pessoas com histórico familiar de infarto ou AVC precoce, diabetes, doenças inflamatórias crônicas, doença renal, tabagismo ou níveis elevados de lipoproteína(a).

Controle reduz progressão da aterosclerose

O tratamento do colesterol elevado depende da avaliação individual de cada paciente e envolve mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física. Em alguns casos, o uso de medicamentos também pode ser indicado.

“O acompanhamento adequado reduz a progressão da aterosclerose, ajuda a estabilizar as placas de gordura e diminui a possibilidade de eventos graves, como infarto, AVC e amputação”, afirma a especialista.

A avaliação inicial costuma ser feita pelo clínico geral ou cardiologista. O cirurgião vascular participa do acompanhamento quando existem sinais de alteração na circulação, como dor nas pernas ao caminhar, feridas de difícil cicatrização, mudanças de temperatura ou coloração dos membros e suspeita de doença arterial periférica ou carotídea.

“Cuidar do colesterol é cuidar de todo o sistema vascular. O acompanhamento médico regular permite identificar alterações antes do surgimento de complicações mais graves”, conclui Dra. Inez.

 

Foto: Divulgação

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