Vídeos que prometem perder peso em poucos dias, desafios alimentares e dietas que eliminam grupos inteiros de alimentos acumulam milhões de visualizações nas redes sociais.
Apesar da popularidade, estratégias baseadas em restrições severas, consumo excessivo de proteínas ou longos períodos de jejum podem representar riscos importantes quando adotadas sem orientação profissional.
Segundo a nutricionista e psicóloga Flávia Lucena, o maior problema dessas dietas está na falsa ideia de que existe uma solução universal para o emagrecimento.
“A perda de peso e a melhora da saúde não dependem apenas de cortar calorias, excluir grupos alimentares ou prolongar jejuns. Cada organismo responde de forma diferente, considerando fatores como genética, composição corporal, estado hormonal, saúde intestinal, qualidade do sono, estresse e presença de doenças”, explica.
Na prática, isso significa que uma estratégia que aparentou funcionar para uma pessoa pode ser ineficaz, ou até prejudicial, para outra.
A especialista destaca que muitas dietas virais priorizam apenas a redução rápida do peso na balança, sem considerar a qualidade nutricional, a sustentabilidade e a segurança metabólica da intervenção.
“É comum que essas estratégias provoquem perda de água corporal e até de massa muscular, além de aumentarem o risco de deficiências nutricionais, fadiga, piora do funcionamento intestinal, queda do desempenho físico e cognitivo e o conhecido efeito rebote. Em alguns casos, a pessoa emagrece, mas às custas da piora da composição corporal e do equilíbrio fisiológico”, afirma.
Outro aspecto frequentemente negligenciado é que o peso corporal, isoladamente, não representa um indicador completo de saúde.
De acordo com Flávia, uma redução rápida pode mascarar problemas metabólicos ou agravar condições já existentes, especialmente em pessoas com resistência a insulina, alterações hormonais, doenças do intestino ou deficiências nutricionais ainda não diagnosticadas.
“Resultados rápidos costumam durar pouco”, é o que ela afirma. Embora os resultados iniciais possam parecer animadores, a manutenção costuma ser um desafio.
Isso acontece porque restrições intensas desencadeiam mecanismos naturais do organismo para preservar energia.
O corpo tende a responder aumentando a fome, reduzindo o gasto energético e intensificando o desejo por alimentos altamente palatáveis.
Como essas dietas normalmente não tratam as causas que levaram ao ganho de peso, como estresse, sono inadequado, alimentação emocional ou sedentarismo, o resultado costuma ser temporário.
O impacto também atinge a saúde mental. Além das consequências físicas, a profissional alerta para os efeitos psicológicos dessas dietas sem personalização:
“Quando a alimentação passa a ser guiada pelo medo, culpa e excesso de controle, cresce o risco de ansiedade relacionada à comida, episódios de compulsão, piora da autoestima e até desenvolvimento ou agravamento de transtornos alimentares”.
Muitas vezes, o problema não é a falta de disciplina da pessoa, mas um método incompatível com sua realidade biológica e emocional.
Antes de aderir a qualquer tendência das redes sociais, é fundamental compreender que a melhor estratégia alimentar é aquela construída de forma individualizada.
“Mais importante do que perguntar se uma dieta funciona é perguntar para quem ela funciona, em qual contexto, com qual objetivo e a que custo para o organismo. Não existe fórmula pronta quando o assunto é saúde”, conclui Flávia.
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