Post: Enchentes no Nepal deixam mortos e centenas de desaparecidos na fronteira com o Tibete

Uma série de inundações repentinas atingiu nesta quarta-feira (26) a região da fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, deixando mortos, centenas de desaparecidos e um cenário de grande destruição. O número de vítimas ainda é atualizado pelas autoridades. Relatos mais recentes apontam pelo menos 17 mortos, enquanto quase 400 viajantes foram dados como desaparecidos nas áreas afetadas.

Segundo o Conselho de Turismo do Nepal, um levantamento preliminar identificou 384 viajantes desaparecidos, sendo 291 estrangeiros e 93 cidadãos nepaleses. Entre os estrangeiros estão 105 indianos, três norte-americanos e 12 britânicos. Cerca de oito sul-coreanos também foram apontados como desaparecidos, segundo a agência Yonhap. As informações ainda estão sendo verificadas pelas autoridades em conjunto com agências de turismo, guias e equipes de segurança.

A inundação ocorreu após um deslizamento de terra atingir o rio Lhende Khola, na região do Himalaia. Uma grande quantidade de lama, pedras e água avançou pela região, destruindo casas, veículos, estradas, pontes e estruturas de projetos hidrelétricos. Imagens registradas no local mostram moradores fugindo da correnteza e construções sendo atingidas pela força das águas.

As áreas de Syapru Besi e Timure, no distrito montanhoso de Rasuwa, estão entre as mais afetadas. Helicópteros de resgate não conseguiram pousar no local devido ao nível elevado do rio. Segundo autoridades, os acessos também estavam bloqueados por grande quantidade de sedimentos.

O administrador distrital Narendra Pariyar alertou para a possibilidade de um número ainda maior de vítimas e pediu que moradores das margens do rio Bhote Koshi se deslocassem para áreas mais altas. Uma profissional de saúde da região relatou à Reuters que comunidades próximas ao rio foram completamente destruídas e que cinco de seus familiares estão desaparecidos.

Risco de uma nova inundação

A causa exata do deslizamento ainda não foi determinada. Um terremoto de magnitude 4,4 foi registrado na região cerca de sete minutos antes do horário indicado em imagens de câmeras de segurança, segundo o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ). Especialistas, no entanto, afirmam que ainda não é possível confirmar se o tremor provocou o desastre.

O especialista Qianggong Zhang, do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas, afirmou que uma avalanche de gelo e rochas no rio pode ter desencadeado a inundação. Segundo ele, ainda existe um bloqueio rio acima, o que aumenta o risco de uma segunda onda de enchentes.

Na China, o deslizamento atingiu a região do porto de Gyirong, interrompendo estradas, comunicações e o fornecimento de energia. Pelo menos 574 socorristas foram mobilizados para atuar na passagem de fronteira, segundo a televisão estatal chinesa CCTV.

O presidente chinês, Xi Jinping, determinou esforços de busca e resgate em grande escala e pediu o reforço dos sistemas de monitoramento e alerta para evitar novos desastres. No Nepal, forças policiais e militares também participam das operações de resgate.

A inundação ainda provocou impactos no fornecimento de energia do Nepal. Segundo o Ministério da Energia do país, 430 megawatts de capacidade foram afetados, principalmente por danos em projetos hidrelétricos.

Alertas de inundação também foram emitidos para os estados indianos de Uttar Pradesh e Bihar, que fazem fronteira com o Nepal e recebem águas de rios que descem das montanhas do Himalaia.

O rio Bhote Koshi nasce no Tibete e atravessa o Nepal antes de chegar ao rio Trishuli, que segue em direção à Índia. Em 2025, uma inundação no mesmo rio matou nove pessoas, deixou 24 desaparecidas e destruiu uma ponte que ligava o Nepal à China. Na ocasião, o desastre foi posteriormente associado ao esvaziamento de um lago supraglacial no Tibete.

 

Informações da Reuters

Foto: REUTERS/Stringer

 

Últimas Notícias