A Federação Internacional de Futebol (Fifa) aplicou uma multa de US$ 20 mil, aproximadamente R$ 101 mil, à Federação Espanhola de Futebol (RFEF) em razão de cânticos islamofóbicos entoados por torcedores durante o amistoso entre Espanha e Egito, realizado em 31 de março, em Barcelona. A sanção também prevê o fechamento de pelo menos 15% dos assentos do estádio no próximo amistoso da seleção espanhola disputado em casa. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (16), após a Fifa negar o recurso apresentado pela entidade espanhola.
As manifestações ocorreram no Estádio RCDE, que pertence ao Espanyol, durante o confronto preparatório para a Copa do Mundo de 2026. A partida terminou empatada em 0 a 0. Durante o jogo, parte dos torcedores entoou frases discriminatórias contra muçulmanos, entre elas “quem não pula é muçulmano”. Antes do apito inicial, o hino nacional do Egito também foi alvo de vaias.
Diante da continuidade dos episódios, mensagens de combate à discriminação foram exibidas nos telões, enquanto avisos sonoros alertaram o público sobre a gravidade das manifestações. Os acontecimentos foram relatados na súmula da arbitragem e levaram à abertura de um processo disciplinar pela Fifa.
Lamine Yamal critica comportamento da torcida
O atacante Lamine Yamal, um dos destaques da seleção espanhola e muçulmano, condenou publicamente os cânticos registrados durante a partida. O jogador considerou as manifestações desrespeitosas e inaceitáveis, destacando que a religião não deve ser utilizada como instrumento de provocação ou discriminação.
Em posicionamento oficial, a Federação Espanhola também repudiou a conduta dos torcedores. A entidade declarou que tomou providências para tentar interromper os cânticos e que colaborou com as autoridades responsáveis pela identificação dos envolvidos.
RFEF pretende levar caso ao TAS
A Federação Espanhola contestou a decisão da Fifa, sustentando que adotou medidas imediatas para conter os incidentes. A entidade também avaliou que a punição foi rigorosa e questionou a interpretação dos cânticos como uma infração às normas contra a discriminação.
A comissão disciplinar da Fifa, entretanto, manteve a penalidade. Segundo o entendimento da entidade, manifestações que, isoladamente, possam parecer inofensivas podem adquirir caráter discriminatório conforme o contexto em que são proferidas.
Além da multa financeira, a determinação estabelece que ao menos 15% dos lugares do estádio permaneçam interditados no próximo amistoso da Espanha como mandante. Com autorização da Fifa, esses espaços poderão ser utilizados por integrantes de comunidades, famílias, estudantes e organizações dedicadas ao enfrentamento da discriminação.
Após a rejeição do recurso inicial, a RFEF informou que pretende apresentar uma nova contestação ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). O episódio volta a colocar em evidência a responsabilidade das instituições esportivas no combate ao preconceito e na adoção de medidas contra manifestações discriminatórias nas arquibancadas.
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