Post: Legumes disparam 17,9% no Sul e registram maior alta entre os alimentos em maio, aponta estudo

A chegada das temperaturas mais baixas muda a sazonalidade da produção agrícola e contribui para a alta dos preços das hortaliças, que lideraram as elevações dos alimentos em maio, pressionando o bolso do consumidor em todo o país.

Segundo o estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, realizado pela Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados que desenvolve soluções para a gestão da cadeia de consumo, a categoria de legumes avançou 15,1% em relação a abril.

O preço médio da categoria passou de R$ 6,89 para R$ 7,93 no período, com altas registradas em todas as regiões do Brasil.

Segundo Marcelo Alves, gerente Executivo de Dados da Neogrid, o movimento está diretamente relacionado às condições de oferta e ao clima:

“As categorias mais pressionadas em maio são justamente aquelas mais sensíveis à oferta e às condições climáticas. Em épocas mais frias, a produtividade e o ritmo de maturação de alguns produtos podem ser afetados, diminuindo a disponibilidade e elevando os preços ao consumidor”, afirma.

“O cenário também chama atenção para a importância do abastecimento inteligente em períodos de maior volatilidade. Em categorias sensíveis ao clima, como hortifrútis, a combinação entre previsibilidade de demanda e maior visibilidade dos estoques contribui para decisões de reposição mais assertivas, reduzindo rupturas e desperdícios ao longo da cadeia de consumo.”, completa Alves.

Entre os demais itens analisados pela Neogrid, o leite em pó contabilizou alta de 9%, com o preço médio variando de R$ 40,47 para R$ 44,10.

O feijão aumentou 5%, ao passo que o molho de tomate e a água mineral tiveram elevações de 3,3% e 3,5%, respectivamente.

Na direção oposta, algumas categorias trouxeram alívio ao consumidor. Os ovos recuaram 6,5%, com o preço da unidade encolhendo de R$ 0,97 para R$ 0,90.

As massas alimentícias secas caíram 3%, enquanto o café em pó e em grãos retraiu 2,5%. Também houve queda na carne suína (-1,4%), no açúcar (-1,1%) e no óleo de soja (-0,9%), sendo este último o único item com redução de preços em todas as regiões do país.

Pressão acumulada no ano

No acumulado entre dezembro de 2025 e maio de 2026, os legumes continuam liderando as maiores altas do varejo alimentar, com valorização de 44,2%, saindo de R$ 5,50 para R$ 7,93. Em seguida aparecem feijão (26,5%), leite UHT (23,9%), carne bovina (6%) e ovos (6%).

“Para os próximos meses, seguimos monitorando o comportamento do clima, especialmente diante das projeções relacionadas ao El Niño. Caso o fenômeno se consolide, alterações no regime de chuvas e nas temperaturas podem gerar novos impactos para a produção agrícola e ampliar a volatilidade em categorias como hortifruti e lácteos, o que exigirá uma cadeia de consumo mais abastecida e preparada para eventualidades”acrescenta Alves.

Variações de preços em maio de 2026 no Sul

Na região Sul, as categorias que apresentaram maior elevação de preço foram legumes (17,9%), água mineral (6,1%), molho de tomate (4%), pão (3,3%) e xampu (2,7%).

Em contrapartida, os principais recuos foram observados em farinha de mandioca (-18,3%), carne suína (-9,9%), ovos (-5,3%), cerveja (-5,2%) e massas alimentícias secas (-3,8%).

 

Foto: Reprodução/Divulgação

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