Post: Paraná se destaca em avaliações nacionais e internacionais de educação

O Paraná apresentou avanços nos principais indicadores de educação em 2025 e se destacou tanto nas avaliações nacionais quanto no cenário internacional. Os resultados do Ideb, do Saeb e do PISA apontam para uma melhora no desempenho dos estudantes paranaenses em diferentes etapas de ensino.

As três avaliações utilizam metodologias distintas. Enquanto o Saeb mede a aprendizagem em áreas como Língua Portuguesa e Matemática, o Ideb combina os resultados de desempenho dos estudantes com indicadores de fluxo escolar. Já o PISA, coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), avalia jovens de 15 anos e busca verificar a capacidade de aplicar conhecimentos em situações do cotidiano.

No PISA 2025, o Paraná apresentou o melhor desempenho entre os estados brasileiros nas quatro áreas avaliadas: Ciências, Leitura, Matemática e resolução de problemas com ferramentas computacionais. O resultado também colocou o Estado em posição de destaque quando comparado aos demais países latino-americanos participantes da avaliação.

Em Ciências, Leitura e Matemática, o desempenho paranaense ficou acima dos resultados dos países latino-americanos com as maiores médias nessas áreas. Em resolução computacional, o Estado também apresentou desempenho próximo ao maior resultado registrado na América Latina.

Para o diretor da APG.Gov e especialista em educação, Frederico Melo, os números mostram uma mudança na referência utilizada para avaliar o desempenho do sistema educacional.

“Se o Paraná fosse considerado um sistema educacional independente na escala do PISA 2025, teria o melhor desempenho da América Latina nas quatro áreas avaliadas. O resultado mostra que o Estado começa a precisar de referências internacionais para continuar avançando”, afirma.

Avanço no Ideb e no Saeb

Os resultados do Ideb também foram positivos. De acordo com o Inep, o Paraná alcançou em 2025 os melhores resultados de sua série histórica nas diferentes etapas da educação básica da rede pública.

O avanço também aparece no Saeb, que registrou aumento da proficiência dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

Segundo Melo, a evolução indica que o resultado não está relacionado apenas ao fluxo escolar, como aprovação e redução da repetência, mas também ao desempenho efetivo dos estudantes.

“Isso impede que a evolução do Ideb seja interpretada apenas como consequência de mais aprovações ou de menos repetência. Houve avanço mensurável na aprendizagem”, avalia.

Frequência escolar também avança

Outro indicador que chama atenção é a frequência dos estudantes. Dados da PNAD Contínua Educação 2025, do IBGE, apontam que o Paraná apresentou a maior taxa ajustada de frequência escolar líquida do país entre os estudantes do Ensino Médio.

A presença dos alunos em sala de aula também é apontada como um dos fatores relacionados ao desempenho educacional. Dados da Secretaria de Estado da Educação indicam aumento na frequência em escolas participantes do Programa Parceiro da Escola.

Para Melo, garantir a presença dos estudantes e a regularidade das aulas é fundamental para que as políticas pedagógicas produzam resultados.

“A lógica é direta: nenhuma política pedagógica funciona se o estudante não estiver na escola ou se a aula não acontecer”, afirma.

Avaliação como ferramenta de acompanhamento

Além das avaliações nacionais e internacionais, o Paraná utiliza instrumentos diagnósticos próprios, como a Prova Paraná, para acompanhar o aprendizado ao longo do ano.

A proposta é identificar dificuldades durante o processo escolar e permitir que professores e gestores adotem estratégias de intervenção antes que os problemas se consolidem.

“Os resultados não substituem o Saeb ou o PISA, mas permitem reagir antes que as dificuldades se consolidem”, explica Melo.

Tecnologia e atenção em sala de aula

Os resultados do PISA também levantaram discussões sobre o uso de dispositivos digitais no ambiente escolar. A avaliação identificou uma relação entre distrações provocadas pelo uso de aparelhos e o desempenho dos estudantes.

Ao mesmo tempo, o Paraná apresentou desempenho de destaque na área de resolução de problemas com ferramentas computacionais. O Estado adotou restrições ao uso pessoal de celulares durante as aulas, mantendo a utilização pedagógica dos dispositivos sob orientação dos professores.

Para Melo, o desafio está em equilibrar o uso da tecnologia com a concentração necessária para o aprendizado.

“O desafio não é escolher entre uma escola com ou sem tecnologia, mas usar a tecnologia para aprender sem permitir que ela concorra com a atenção do estudante”, afirma.

Desafio é manter os resultados

Para o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, os resultados não podem ser atribuídos a uma única medida.

“O que chama atenção no Paraná é que indicadores distintos — aprendizagem, fluxo, presença e competências internacionais — passaram a avançar simultaneamente”, destaca.

Na avaliação de Melo, a convergência dos diferentes indicadores é mais significativa do que a posição ocupada pelo Estado em um ranking específico.

“Quando instrumentos tão diferentes colocam um mesmo estado no topo, o resultado deixa de ser apenas uma fotografia de uma prova e passa a indicar uma tendência. O desafio agora é manter essa trajetória e aproximar cada vez mais o Paraná das referências internacionais de melhor desempenho”, conclui.

 

Foto: Reprodução/Google Maps

 

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