Autoridades do Pentágono solicitaram a países europeus que moderem suas declarações públicas sobre a Rússia para evitar o aumento das tensões com Moscou. A informação foi divulgada pela agência Reuters nesta sexta-feira (30), com base em relatos de quatro fontes familiarizadas com as conversas.
Entre os países que receberam a orientação estão Lituânia, Letônia e Estônia. Segundo as fontes, os pedidos foram transmitidos durante reuniões bilaterais e tinham como objetivo evitar manifestações que pudessem ser interpretadas como provocações pelo governo russo.
O responsável pela política do Pentágono, Elbridge Colby, teria mencionado declarações de autoridades europeias que descreviam a Rússia como um país “encurralado como um rato”. Em uma das conversas, ele teria defendido que os países evitassem provocações direcionadas a Moscou.
Procurado pela Reuters, o Pentágono não confirmou o conteúdo das reuniões. Um representante do órgão afirmou que conversas privadas entre aliados não seriam comentadas.
Putin afirma que Rússia está preparada para uma guerra
As orientações americanas ocorrem em meio ao aumento das tensões entre Rússia e países europeus. Na quinta-feira (29), o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o país não deseja um conflito com a Europa, mas que suas forças estão preparadas para uma eventual guerra.
A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva em Moscou. Putin também advertiu que, caso a situação se agrave, não haverá vencedores em um confronto dessa dimensão.
O presidente russo ainda manifestou apoio a iniciativas voltadas à retomada das relações entre Moscou e os países europeus.
Divergências entre aliados da Otan
O pedido do Pentágono ocorre enquanto o governo do presidente Donald Trump retoma esforços diplomáticos para negociar o encerramento da guerra na Ucrânia, que já entrou no quinto ano.
A estratégia americana envolve a possibilidade de aliviar sanções econômicas contra a Rússia e, ao mesmo tempo, pressionar Kiev a interromper ataques contra estruturas de energia russas.
Dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), há divergências sobre a forma de comunicar a ameaça representada por Moscou. Parte das autoridades ocidentais considera que declarações mais incisivas podem ampliar o medo da população e favorecer os interesses do Kremlin. Outros representantes defendem que os governos sejam transparentes sobre os riscos para justificar investimentos em defesa e a continuidade do apoio à Ucrânia.
As conversas também acontecem durante uma revisão da presença militar dos Estados Unidos na Europa. Washington avalia sua estrutura de tropas no continente e tem defendido que os integrantes europeus da Otan assumam uma parcela maior da responsabilidade pela própria segurança.
Informações de Reuters/UOL
Foto: Joshua Roberts/Reuters




