Nem tudo é baixaria, tem também poesia
Cansou de ouvir falar de eleição?
Não aguenta mais fake news, bate-boca e climão entre amigos e família?
Então seus problemas acabaram, vamos deixar o momento mais leve com um pouco de arte e poesia, mas sem perder o espírito eleitoral.
Segue o pavio, com a colaboração de clássicos da poesia nacional.
Soneto de Fidelidade Partidária *1
De tudo ao meu candidato serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior escândalo
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero defendê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar suas fake news
E rir de nervoso meu riso e derramar de raiva meu pranto
A sua cara de pau ou seu mau comportamento.
E assim, quando mais tarde me procure de novo
Quem sabe para a sua reeleição, angústia de quem quer voto
Quem sabe a prisão, talvez o fim de quem prevarica
Eu possa me dizer do candidato (que tive):
Que não seja um cretino colorretal, posto que sua influência tem a duração de um dorama
Mas que seja desmascarado enquanto a bateria da tornozeleira eletrônica dure.
Vou-me embora pra Brasília *2
Vou-me embora pra Brasília
Lá sou amigo dos reis
Lá tenho as emendas que eu quero
Dos políticos que escolherei
Vou-me embora pra Brasília
Aqui eu não sou feliz.
No Meio do Gabinete *3
No meio do gabinete tinha uma rachadinha
tinha uma rachadinha no meio do gabinete
tinha uma rachadinha
no meio do gabinete tinha uma rachadinha.
O tempo do eleitor *4
A vida é uns deveres que precisamos fazer nas urnas !!!
Quando se vê, já é dia 4 de Outubro: não há tempo…
Quando se vê, já é 25 de Outubro … menos tempo ainda
Quando se vê, passaram 4 anos e talvez a gente volte a andar pra trás no Congresso, novamente!
Agora, é tarde demais para votar a favor de propostas e não contra alguém?
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o calendário eleitoral
seguia sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada das auréolas quebradas dos candidatos.
Dia 4 de Outubro não deixe de votar, não deixe de escolher seu candidato racionalmente, não deixe de se informar e, principalmente, vote em quem tem propostas e não apenas promessas.
Inspirado, com todo respeito, em:
1. Soneto de Fidelidade (1946), de Vinicius de Moraes
2. Vou-me embora pra Pasárgada (1930), de Manuel Bandeira
3. No Meio do Caminho (1928), de Carlos Drummond de Andrade
4. O tempo (1980), de Mário Quintana




