Dificuldades para enxergar o quadro, acompanhar uma leitura ou realizar atividades escolares podem ser confundidas com falta de atenção ou desinteresse. Para milhares de crianças brasileiras, porém, o problema pode estar relacionado à visão. Dados da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB), em estudo realizado em parceria com a Fundação Seva, apontam que quase 800 mil estudantes no país frequentam as aulas com problemas de visão não corrigidos.
O alerta ganha destaque em outubro, mês que reúne o Dia Mundial da Visão, celebrado em 8 de outubro, e o Dia das Crianças, comemorado no dia 12. Além de afetar a qualidade de vida, alterações visuais não identificadas podem prejudicar o desenvolvimento escolar.
Segundo o levantamento da IAPB e da Fundação Seva, uma criança com deficiência visual não tratada aprende metade do que um aluno com visão normal. O cenário pode contribuir para dificuldades acumuladas, frustração e até para o abandono precoce da escola.
O problema ocorre em meio a um cenário mais amplo de evasão escolar no Brasil. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), quase 400 mil crianças e adolescentes de 6 a 14 anos não frequentavam a escola em 2023. Dados do IBGE apontam ainda que a falta de interesse ou desmotivação foi citada por 25,1% dos jovens como o segundo maior motivo oficial para a evasão.
A falta de acesso ao atendimento oftalmológico também representa um obstáculo. De acordo com levantamento do Ibope, 34% dos brasileiros afirmam nunca ter consultado um oftalmologista.
Projeto busca identificar problemas de visão nas escolas
Para ampliar o acesso ao atendimento oftalmológico infantil, a SAS Brasil, organização social sem fins lucrativos, desenvolve o projeto Ver Magia em parceria com escolas públicas.
A iniciativa faz parte do programa Saúde da Criança Escolar e busca identificar precocemente alterações visuais que possam interferir no aprendizado. Crianças de 0 a 14 anos passam por triagens, consultas com oftalmologistas e exames especializados. Quando há indicação, também recebem óculos de grau gratuitamente.
“Um problema de visão não identificado pode acompanhar a criança por muito tempo e afetar não apenas o aprendizado, mas também sua autoestima, sua socialização e seu desenvolvimento. Muitas vezes, ela não consegue dizer que não está enxergando bem. Por isso, identificar essas alterações precocemente e garantir o acesso ao cuidado oftalmológico pode fazer uma diferença enorme na trajetória escolar e na qualidade de vida dessas crianças”, afirma Adriana Mallet, CMO e cofundadora da SAS Brasil.
Atendimento começa na sala de aula
O trabalho começa nas escolas, onde professores são capacitados para realizar testes de acuidade visual e fazer uma pré-triagem dos estudantes. As crianças de até 14 anos que apresentam alterações são encaminhadas para mutirões presenciais.
Durante as ações, os pacientes passam por consultas e exames especializados. Quando é identificada a necessidade de correção visual, a criança pode escolher a armação dos óculos. O projeto oferece gratuitamente o conjunto completo, com armação e lentes.
Desde a criação, o Ver Magia já realizou mais de 155 mil atendimentos, beneficiou mais de 44 mil pessoas e possibilitou a doação de mais de 4,4 mil óculos.
As ações já chegaram a 31 cidades das regiões Sul, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Norte do país, com algumas localidades recebendo a iniciativa durante vários anos.
Para 2027, a SAS Brasil pretende ampliar o atendimento por meio da telessaúde e da implantação de uma sala especializada em oftalmopediatria. A organização realiza uma campanha de captação de recursos para a construção do espaço e, até o momento, alcançou 87% da meta.
Para contribuir com a campanha, é possível acessar o site da iniciativa.
Foto: Divulgação




