Post: Setembro Lilás: hábitos ao longo da vida podem ajudar a reduzir o risco de Alzheimer

Mais de 57 milhões de pessoas vivem atualmente com algum tipo de demência no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A cada ano, são registrados quase 10 milhões de novos casos. O Alzheimer representa entre 60% e 70% dos diagnósticos de demência.

No Brasil, cerca de 1,8 milhão de pessoas vivem com algum tipo de demência, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A estimativa é de aproximadamente 55 mil novos casos por ano, e a projeção é de que o número de brasileiros com demência chegue a 5,7 milhões até 2050.

Os números reforçam a importância da prevenção e do acompanhamento médico. Durante o Setembro Lilás, mês dedicado à conscientização sobre a doença de Alzheimer, especialistas alertam que alguns hábitos adotados ao longo da vida podem contribuir para a redução de fatores de risco relacionados ao declínio cognitivo.

O médico e investigador clínico Luiz Fernando Petry, diretor clínico do Centro de Estudos Clínicos do Paraná (CECPAR), destaca cinco atitudes que podem contribuir para a saúde cerebral ao longo dos anos.

1. Manter o corpo em movimento

A prática regular de atividades físicas está entre as medidas recomendadas para reduzir o risco de declínio cognitivo e demência. Além dos benefícios para o cérebro, o exercício auxilia no controle de condições como hipertensão, diabetes e obesidade, que também estão relacionadas à saúde cerebral.

2. Controlar pressão, diabetes e colesterol

A saúde cardiovascular está diretamente relacionada ao funcionamento do cérebro. Por isso, manter a pressão arterial, o diabetes e os níveis de colesterol sob controle é importante não apenas para prevenir doenças cardiovasculares, mas também para preservar a saúde cerebral.

3. Não fumar e moderar o consumo de álcool

O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas estão entre os fatores modificáveis associados ao risco de demência. Evitar o cigarro e reduzir o consumo de álcool estão entre as medidas que podem contribuir para a redução desses riscos.

4. Manter a mente e a vida social ativas

Ler, aprender novas habilidades, praticar hobbies e manter relações sociais são maneiras de estimular a atividade cognitiva. A manutenção de uma vida social ativa também está entre as estratégias associadas à preservação da saúde cerebral.

5. Não atribuir alterações de memória apenas à idade

Esquecer ocasionalmente onde deixou um objeto ou o nome de alguém pode acontecer em diferentes fases da vida. O sinal de alerta aparece quando alterações de memória, comportamento ou capacidade funcional começam a interferir na rotina.

“Uma das questões mais importantes é não normalizar mudanças significativas de memória e comportamento. Quando a família percebe que uma pessoa que sempre foi independente começa a repetir as mesmas perguntas, se perde em lugares conhecidos, tem dificuldade para realizar tarefas habituais ou apresenta mudanças importantes de comportamento, é importante procurar avaliação médica”, explica Petry.

O médico ressalta, entretanto, que esses sinais não significam necessariamente que a pessoa tenha Alzheimer. A avaliação profissional é fundamental para identificar as possíveis causas das alterações e definir o acompanhamento adequado.

Pesquisas buscam novas alternativas para casos mais avançados

Além da prevenção e do diagnóstico precoce, a ciência busca novas alternativas para lidar com manifestações mais complexas da doença de Alzheimer.

O CECPAR participa atualmente de dois estudos clínicos internacionais que investigam novos medicamentos para pacientes com Alzheimer. As pesquisas são realizadas em Curitiba e estão com vagas abertas para novos participantes.

Um dos estudos avalia uma nova abordagem para a agitação associada à doença de Alzheimer, manifestação que pode atingir aproximadamente metade dos pacientes. O quadro pode comprometer a qualidade de vida, aumentar a sobrecarga dos cuidadores e elevar a possibilidade de institucionalização.

Segundo Petry, a agitação pode aparecer de diferentes formas, incluindo agressões físicas ou verbais, inquietação, comportamentos repetitivos, tentativas constantes de sair ou chegar a determinado local e até destruição de objetos.

“As opções disponíveis podem ter eficácia limitada e provocar efeitos adversos que dificultam seu uso, especialmente em pacientes idosos”, afirma o médico.

O segundo estudo investiga uma alternativa para a psicose associada à doença de Alzheimer, que pode envolver alucinações e delírios. Alucinações podem fazer com que o paciente veja, ouça ou sinta coisas que não existem, enquanto os delírios envolvem crenças falsas mantidas mesmo diante da ausência de evidências.

Entre as manifestações estão acreditar que um familiar ou cuidador é um impostor, que alguém está roubando seus pertences ou que existem pessoas dentro da casa que não estão realmente presentes.

De acordo com o CECPAR, atualmente não há tratamento farmacológico aprovado especificamente para a psicose relacionada à doença de Alzheimer. O estudo busca avaliar a eficácia e a segurança de uma nova substância para pacientes que apresentam alucinações e delírios relacionados à doença.

Quem pode participar dos estudos?

A participação nas pesquisas é gratuita. Os procedimentos previstos pelos protocolos são custeados pelos estudos, e despesas relacionadas a deslocamento e alimentação durante as visitas podem ser reembolsadas conforme as regras de cada pesquisa.

Os participantes elegíveis também podem passar por uma avaliação diagnóstica abrangente, que poderá incluir métodos de investigação como a análise de biomarcadores plasmáticos, realizada a partir de uma amostra de sangue.

Podem participar pessoas entre 55 e 95 anos, com diagnóstico de Alzheimer e que apresentem um dos sintomas investigados pelos estudos há pelo menos dois meses. Também é necessário ter capacidade verbal suficiente para compreender e responder às perguntas e seguir os procedimentos da pesquisa, além de contar com um familiar, cuidador ou parceiro de estudo que possa acompanhar o participante durante as visitas.

Para Petry, a participação em pesquisas clínicas contribui não apenas para os pacientes envolvidos diretamente nos estudos, mas também para o avanço do conhecimento sobre a doença.

“Cada estudo clínico é uma etapa necessária para que a ciência consiga responder a perguntas que ainda não têm resposta. Para quem participa, existe a possibilidade de contribuir diretamente para esse processo, mas o impacto vai muito além: os conhecimentos produzidos podem abrir caminho para novas opções de tratamento e representar esperança para milhares de pessoas que poderão enfrentar o Alzheimer no futuro”, afirma.

Interessados em participar podem entrar em contato com o CECPAR pelo telefone (41) 98495-7463. Os pacientes passam por uma triagem antes de serem incluídos nos estudos.

Sobre o CECPAR

O Centro de Estudos Clínicos do Paraná (CECPAR) atua em Curitiba na condução de estudos clínicos. O centro é dirigido clinicamente pelo médico Luiz Fernando Petry, investigador clínico desde 2009, e conta com equipe multidisciplinar e estrutura voltada à realização de pesquisas internacionais.

A instituição desenvolve estudos em diferentes áreas da medicina, incluindo neurologia e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

 

Foto: Reprodução 

 

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