Post: 40% dos brasileiros têm colesterol alterado: por que a condição silenciosa preocupa médicos mesmo na era das canetas emagrecedoras?

Sentir-se bem, ter disposição e manter uma rotina ativa são quase sempre vistos como sinais de que a saúde vai de vento em popa.

Mas, quando o assunto é o coração, essa sensação de bem-estar pode esconder um risco que avança sem dar qualquer aviso.

De acordo com estudos epidemiológicos destacados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 40% dos adultos no Brasil apresentam níveis alterados de colesterol — seja pelo LDL alto ou pelo HDL baixo.

O número é ainda mais expressivo entre as mulheres acima dos 45 anos e pessoas acima do peso.

Na semana em que se lembra o Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, médicos fazem um convite à reflexão: entender as taxas no sangue é um gesto simples, mas fundamental para viver mais e melhor.

Para ajudar a nortear os cuidados, as diretrizes estabelecem metas claras para o LDL, o famoso “colesterol ruim”. Em pessoas com baixo risco cardiovascular, o ideal é manter as taxas em até 115 mg/dL.

Já para quem possui fatores como histórico familiar de doenças cardíacas, diabetes ou gordura no fígado, esse limite pode cair para menos de 40 mg/dL.

Mais do que números, os especialistas lembram que esses parâmetros servem como um guia prático para proteger os vasos sanguíneos e evitar emergências graves no futuro, como infartos ou AVCs.

A Dra. Sandra Fernandes, médica nutróloga da Kora Saúde (CRM 7973 / RQE 5098), lembra que o maior desafio do colesterol é justamente o fato de ele não causar dor. Por isso, muita gente adia os exames preventivos.

A médica pondera ainda que, embora a medicina celebre avanços importantes no controle de peso, estar em dia com a balança nem sempre é garantia de artérias protegidas.

As canetas emagrecedoras e novas terapias para perda de peso são aliadas valiosas, mas elas não substituem a investigação do perfil lipídico. É muito comum atender pessoas que se sentem ótimas e perderam peso, mas que ainda possuem um componente genético ou hábitos alimentares velados que mantêm o colesterol ruim elevado. Cuidar do coração é um processo contínuo“, esclarece a Dra. Sandra Fernandes.

A boa notícia é que as taxas de gordura no sangue respondem muito bem às escolhas do dia a dia. Se por um lado a genética influencia a produção de colesterol pelo organismo, por outro, o que colocamos no prato desempenha um papel decisivo.

Enquanto as gorduras de origem animal (como carnes gordas, manteiga e banha) são conhecidas por elevar o “colesterol ruim” (LDL), algumas gorduras vegetais também exigem atenção.

É o caso do óleo de coco e do óleo de palma, que, quando consumidos em excesso, possuem alta concentração de gorduras saturadas e são capazes de aumentar expressivamente o LDL.

Muita gente substitui todos os óleos da cozinha pelo óleo de coco acreditando ser uma opção puramente saudável, mas o consumo desmedido pode prejudicar o perfil lipídico.

A reeducação alimentar é uma aliada leve e poderosa. Incluir na rotina diária fibras vindas da aveia, legumes e vegetais, junto com gorduras boas como o azeite de oliva e peixes, já faz uma enorme diferença no perfil sanguíneo. Quando os hábitos saudáveis precisam de um apoio extra, o acompanhamento médico ajuda a encontrar a melhor combinação para cada paciente. O objetivo principal deve ser sempre cultivar vitalidade e bem-estar em cada etapa da vida“, conclui a médica da Kora Saúde.

Passos práticos para cuidar da saúde do coração no dia a dia

Para facilitar o cuidado preventivo, a Dra. Sandra Fernandes sugere três atitudes simples para incorporar na rotina.

A primeira é manter os exames de sangue em dia, acompanhando o perfil lipídico de tempos em tempos para checar como andam as taxas de LDL e HDL.

O segundo passo é fazer escolhas alimentares mais conscientes, priorizando alimentos naturais e reduzindo o consumo de ultraprocessados e gorduras saturadas.

Por fim, a prática regular de exercícios físicos entra como essencial, capaz de elevar o colesterol bom e fortalecer o músculo cardíaco naturalmente.

 

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