A Justiça do Rio Grande do Sul recebeu 60.816 novos processos relacionados à violência doméstica contra a mulher entre janeiro e julho de 2026. O número representa uma média de 286,87 ações por dia, ou quase 12 novos processos a cada hora.
Os dados são do Painel de Violência contra a Mulher do DataJud, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em 2025, o estado registrou 97.240 novos processos, 18,19% a mais do que os 82.277 contabilizados em 2024. Na comparação com 2020, quando foram abertas 64.354 ações, o aumento chega a 51,10%.
No Brasil, foram registrados 742.279 novos processos de violência doméstica até julho de 2026, média de 3.501 por dia. O volume anual passou de 599.472 ações em 2020 para 1.133.556 em 2025, crescimento de 89,09%.
O aumento no número de processos, porém, não significa necessariamente que os casos de violência tenham crescido na mesma proporção. Para o advogado criminalista Fábio Tavolassi, uma das possíveis explicações é a maior procura das mulheres por canais de denúncia e medidas de proteção.
“O aumento pode indicar que mais mulheres estão reconhecendo a violência, procurando ajuda e denunciando os agressores. Hoje há maior divulgação da Lei Maria da Penha, das medidas protetivas e dos canais de atendimento. Com isso, situações que antes permaneciam escondidas começam a chegar à polícia e à Justiça”, explica.
Os números do CNJ também não abrangem os casos que não chegam às autoridades. Medo de novas agressões ou ameaças, dependência financeira ou emocional, vergonha e falta de uma rede de apoio podem dificultar a denúncia.
“Os dados do CNJ mostram apenas as situações que chegaram ao Judiciário. Muitos episódios não são denunciados e, por isso, ficam fora das estatísticas processuais. Por isso, o número real de vítimas pode ser muito maior”, afirma Tavolassi.
Violência não se resume à agressão física
A violência doméstica também pode aparecer por meio de ameaças, humilhações e comportamentos de controle. Segundo Tavolassi, situações como perseguição, controle financeiro, isolamento de familiares e amigos, invasão do celular, destruição de objetos e coerção sexual também podem caracterizar violência.
“A violência doméstica não começa somente com uma agressão física. Ameaças, humilhações, perseguição, controle do dinheiro, isolamento de amigos e familiares, invasão do celular, destruição de objetos e coerção sexual também precisam ser considerados”, alerta.
Esses comportamentos podem se intensificar ao longo do tempo e não devem ser tratados apenas como conflitos comuns de um relacionamento.
Em situações de risco imediato, a orientação é procurar um local seguro e acionar a Polícia Militar pelo 190. O Ligue 180 funciona 24 horas e oferece informações sobre serviços de atendimento e orientação às mulheres.
Também é possível preservar mensagens, áudios, fotografias, documentos médicos e contatos de testemunhas, que podem contribuir para a investigação. Tavolassi ressalta, porém, que a falta de provas não deve impedir a vítima de buscar ajuda.
“Se for possível, é importante guardar mensagens, áudios, fotografias, relatórios médicos e contatos de testemunhas. Esses materiais podem ajudar na investigação. No entanto, a mulher não deve adiar o pedido de ajuda por achar que ainda não possui provas suficientes”, orienta.
Foto: Magnific/ banco de imagens



