Post: AS CORES DO FEMINICÍDIO

Agosto Lilás, Roxo Hematoma e Branco Lápide

Estamos no mês de agosto, ano de 2026.

Agosto, na brincadeira o mês do desgosto, enquanto na realidade 741 vítimas de feminicídio contabilizadas nos primeiros 6 meses do ano* e, no Rio Grande do Sul, 46 casos oficialmente registrados até o dia 10 de agosto**.

Agosto, o mês lilás, que busca a prevenção e conscientização sobre o feminicídio, é um mês que representa os 20 anos da Lei nº 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, e que foi sancionada em 7 de agosto de 2006.

Mas você sabe por que esta cor simboliza este mês? Tem origem na história do movimento das sufragistas britânicas, que marchavam pelo direito ao voto feminino no início do século XX, e que usavam a cor lilás, o branco e o verde para identificar a luta e representar lealdade, dignidade e nobreza.

Já ouvi teorias de que foi ressignificado como uma cor que unia o rosa e o azul, cores associadas aos gêneros feminino e masculino, numa simbologia de quebra de padrões. Outros dizem que a cor é uma forma de se dissociar de movimentos políticos, evitando o vermelho ou amarelo.

Enfim, muitas cores, paletas e interpretações, carregadas de significados atribuídos, que faço questão de atualizar para os dias de hoje e a distopia que estamos vivendo. Segue aqui:

VERMELHO

Cor da paixão, mas também do perigo.

A mulher precisa estar atenta aos sinais, porque nem tudo que é vermelho é paixão. Águas turbulentas também são sinalizadas por bandeiras vermelhas.

Essas bandeiras vermelhas podem ser pequenos desrespeitos, piadas degradantes, traições, violência financeira, psicológica, sexual e física, e são os indícios do que está por vir.

Tem que prestar atenção, muita atenção aos sinais.

CINZA

A cor do horizonte turbulento. De um céu azul, de repente uma tempestade vai chegando.

Um primeiro empurrão, um tapa distraído, um pedido de desculpas, uma repetição.

Do azul ao cinza chumbo, às vezes a tempestade chega lentamente, pode passar e retornar, às vezes vem com rapidez assustadora.

Mas por mais fechado que se torne o tempo, temos que lembrar que é possível voltar a ver um dia de céu azul saindo do olho do furacão.

Não vai ser fácil, mas é possível.

AMARELO

Dizem que é a cor da riqueza e energia.

Mas pra quem vive no ciclo de agressão, ela grita por socorro.

É a cor da explosão nos olhos no momento do soco, do empurrão, da facada ou do tiro.

Um desespero que precisa de apoio, coragem e atitude para se transformar em ação que quebre o ciclo de violência.

VERDE

Esperança, dizem.

Na prática é chamada de verdinha, a cor do dinheiro.

É usada pelo machista para manipular e ser um indicador do quanto uma mulher pode aguentar, seja por causa dos filhos, da posição ou da privação de oportunidades e crescimento profissional em uma sociedade injusta e que faz distinção de gênero.

DEGRADÊS

Do vermelho passando pelo roxo azulado, chegando ao verde amarelado até desaparecer.

Estas são as cores do ciclo de vida dos hematomas e da violência física no corpo feminino.

Da ameaça à concretização, saiba que agressão não desaparece nem diminui como o hematoma, muito pelo contrário.

Fuja, denuncie, se proteja.

PRETO

A cor da elegância, luxo e poder, é a cor do luto na vida da mulher.

65% das vítimas fatais de feminicídio são mulheres negras.***

Machismo e racismo explicam mas nunca irão justificar e nunca devemos perdoar.

ARCO-ÍRIS

Mulheres trans e travestis ocupam o topo das estatísticas de mortes violentas, provavelmente pela junção do preconceito de gênero com o ódio por identidade de gênero. ****

BRANCO

Poderia ser tranquilidade e calmaria, mas no feminicídio é a cor da lápide das mulheres, que só conseguem paz ao morrer.

CORES PRIMÁRIAS, SECUNDÁRIAS E OUTRAS

A violência contra a mulher não discrimina; acontece em todas as matizes, saturações, valores e brilho.

Todas as cores de pele, todas as classes sociais, todos os perfis, todas as idades, todas vítimas de uma sociedade que, por incrível que pareça, ainda luta em 2026 para deixar de ser machista.

Como Denunciar e Pedir Ajuda

Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (nacional, gratuito e sigiloso).

Ligue 190: Polícia Militar (para situações de emergência e flagrante).

Delegacias da Mulher (DDM): Ou qualquer delegacia comum de polícia para registro de ocorrência e pedido de medidas protetivas.

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública

** Dados oficiais registrados no ano até o dia 10 de agosto de 2026, com base nos balanços divulgados pela Polícia Civil e redes de notícias locais. Os relatórios consolidados mensais da Secretaria da Segurança Pública do RS (SSP-RS) passam por revisões contínuas e investigações periciais antes de fechar o período completo.

*** Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

**** Assessoria de Comunicação do IBDFAM (com informações do TJSP)

 

As Cores do Feminicídio

Últimas Notícias