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Dia da Amazônia: manejo sustentável e sociobiodiversidade são apontados como alternativas para manter a floresta em pé

No Dia da Amazônia, celebrado neste sábado (5), o debate sobre a preservação do bioma ganha destaque diante da necessidade de conciliar conservação ambiental e geração de renda para as comunidades que vivem na região. Para o FSC Brasil, organização responsável pela certificação de manejo florestal, a valorização da sociobiodiversidade, dos serviços ecossistêmicos e do manejo sustentável pode contribuir para manter a floresta em pé e, ao mesmo tempo, ampliar as oportunidades econômicas no território.

Uma das iniciativas nesse sentido é a parceria entre o FSC Brasil e o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). O acordo foi firmado durante a Reunião Anual da GCF Task Force e prevê ações para ampliar a gestão sustentável e a certificação FSC em Unidades de Conservação (UCs) estaduais.

A cooperação inclui a realização de diagnósticos, capacitações e a implementação de metodologias para a valoração de serviços ecossistêmicos associados às áreas protegidas, como regulação do clima, proteção dos recursos hídricos e conservação da biodiversidade.

“O modelo de certificação prova que a conservação pode – e deve – ir além da madeira. Iniciativas de manejo sustentável para produtos não madeireiros e até mesmo para o turismo, por exemplo, demonstram que é possível gerar valor econômico respeitando as particularidades da região”, afirma Elson Fernandes de Lima, diretor executivo do FSC Brasil.

Outra frente de atuação foi estabelecida entre o FSC Brasil e o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). As instituições assinaram uma carta de intenções durante a Assembleia Geral do FSC Brasil, realizada em agosto, com o objetivo de fortalecer o manejo florestal comunitário e familiar por meio da certificação, da qualificação de empreendimentos locais e da valorização dos serviços ecossistêmicos.

A parceria também prevê o desenvolvimento de projetos conjuntos, captação de recursos e atuação institucional junto a governos e à sociedade civil. Entre os focos está o aprimoramento de políticas públicas voltadas ao manejo florestal comunitário e familiar.

Experiências na região amazônica

A aplicação desse modelo já ocorre em diferentes áreas da Amazônia. Segundo o FSC Brasil, mais de 3,2 milhões de hectares estão certificados pela organização em estados como Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia e Mato Grosso.

Entre os exemplos está a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, no Amazonas, que recebeu a certificação FSC em 2022, após um trabalho iniciado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) em 2006.

Com 44 mil hectares destinados à produção, os comunitários da região trabalham com produtos como óleos essenciais de copaíba e breu, além de objetos de madeira. A comunidade também desenvolveu uma miniusina para o beneficiamento dos produtos. Atualmente, a estrutura funciona com painéis fotovoltaicos e produz cerca de 60 litros de óleos essenciais por ano, com faturamento superior a R$ 100 mil.

Para Vidinha Cavalcante, liderança comunitária de Uatumã, a certificação contribui para reconhecer o trabalho realizado pelos moradores na conservação do território.

“Floresta para gente é tudo. (…) Se o agro é pop, a floresta é top, e eu concordo com ele, porque ela é nossa essência”, afirma.

Segundo a liderança, o selo FSC também representa uma forma de demonstrar o compromisso da comunidade com a preservação ambiental e com as pessoas que vivem na região. 

“A certificação nos incentiva a valorizar as vidas, faz com que a gente pense na floresta com um alto valor”, completa.

Economia, sociedade e meio ambiente

A proposta de manejo responsável defendida pelo FSC Brasil combina três frentes: geração de renda, fortalecimento das comunidades e conservação ambiental.

No aspecto econômico, o beneficiamento de produtos da floresta permite agregar valor à produção local. Além da madeira manejada, itens como castanhas e óleos podem integrar cadeias comerciais, enquanto atividades como o ecoturismo também aparecem como alternativas de geração de renda.

Na dimensão social, a criação de oportunidades de trabalho contribui para a permanência das populações nos territórios e pode ampliar as perspectivas para os jovens, ajudando a reduzir o êxodo rural e fortalecendo a governança comunitária.

Já do ponto de vista ambiental, o manejo sustentável contribui para a conservação da biodiversidade, a proteção dos recursos hídricos e o armazenamento de carbono, mantendo serviços ecossistêmicos importantes para o equilíbrio climático.

O FSC Brasil também afirma atuar na preparação de produtores comunitários para relações comerciais e na orientação de empresas interessadas em desenvolver processos de compra mais inclusivos.

Para a organização, o impacto dos produtos da sociobiodiversidade deve ser avaliado não apenas pelo volume de produção ou pelo faturamento, mas também pela capacidade de promover desenvolvimento territorial e qualidade de vida para populações tradicionais e jovens.

 

Foto: Rodrigo Duarte 

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