Com mais tempo livre e uma rotina menos estruturada, as férias escolares costumam aumentar a exposição de crianças e adolescentes a telas, como celulares, tablets, computadores e videogames.
Embora a tecnologia faça parte do cotidiano e possa oferecer entretenimento e aprendizado, o excesso pode impactar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social, além de gerar conflitos familiares na tentativa de impor limites.
Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan, o primeiro passo para evitar desgastes é compreender que o problema não está necessariamente no uso das telas, mas na ausência de equilíbrio.
“Durante as férias, é natural que o tempo de tela aumente um pouco. O desafio é garantir que essa atividade não substitua experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil, como brincadeiras livres, interação social, atividade física, leitura e momentos em família”, explica.
A especialista destaca que estabelecer regras claras e previsíveis ajuda a reduzir discussões.
“Quando os combinados são definidos previamente e de forma coerente, a criança tende a compreender melhor os limites. O conflito geralmente surge quando as regras mudam constantemente ou quando os adultos tentam interromper uma atividade sem aviso prévio”, afirma.
Para a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, a participação da criança na construção desses acordos pode favorecer a adesão às regras.
“É importante que os responsáveis conversem sobre os horários de uso e apresentem alternativas atrativas para o período em que a tela não estará disponível. Quando a criança sente que foi ouvida e tem outras opções de lazer, a resistência costuma diminuir”, orienta.
Entre os sinais de alerta para o uso excessivo estão irritabilidade quando o dispositivo é retirado, dificuldade para se interessar por outras atividades, alterações no sono, isolamento social e redução da concentração em tarefas do dia a dia.
De acordo com Silvia Kelly, as férias representam uma oportunidade importante para estimular habilidades que nem sempre recebem tanta atenção durante o período letivo.
“Brincadeiras ao ar livre, jogos de tabuleiro, atividades criativas e momentos de convivência fortalecem funções cognitivas, emocionais e sociais essenciais para o desenvolvimento. Essas experiências não devem ser substituídas integralmente pelo ambiente digital”, ressalta.
Thaís Barbisan acrescenta que o exemplo dos adultos tem papel fundamental nesse processo.
“As crianças observam constantemente os comportamentos dos pais e cuidadores. Se os adultos permanecem conectados o tempo todo, torna-se mais difícil convencer os filhos sobre a importância de limitar o uso das telas. O controle precisa ser uma prática familiar.”
As especialistas também recomendam que os responsáveis evitem utilizar dispositivos eletrônicos como recompensa ou punição.
Essa estratégia pode aumentar ainda mais o valor emocional atribuído às telas, tornando a negociação dos limites mais difícil no futuro.
Dicas para um uso saudável das telas durante as férias
- Estabeleça horários e tempo de uso definidos previamente;
- Avise a criança com antecedência quando o período de tela estiver chegando ao fim;
- Ofereça alternativas de lazer adequadas à faixa etária;
- Priorize atividades físicas, brincadeiras e interação social;
- Evite o uso de dispositivos próximo ao horário de dormir;
- Mantenha momentos da rotina familiar livres de telas, como refeições;
- Seja exemplo no uso equilibrado da tecnologia.
Para as especialistas, o objetivo não deve ser eliminar completamente as telas, mas promover um uso consciente e compatível com as necessidades de desenvolvimento de cada fase da infância.
Com diálogo, planejamento e consistência, é possível transformar as férias em um período de diversão, aprendizado e convivência saudável, sem que a tecnologia se torne motivo de conflito dentro de casa.
Foto: Banco de imagens/divulgação




