Ministros do STF promoveram um espetáculo deprimente. Foi uma verdadeira lavação de toga suga. Um acusando o outro. De início, Dias Toffoli e Nunes Marques se declararam suspeitos para julgar o caso. Nunes Marques se retirou, Dias Toffoli não. Ora, por muito mesmo um servidor público normal estaria respondendo a processo administrativo e afastado de cargo se fosse revelado que viajou ao Peru para ver um jogo de futebol ao lado do advogado do Banco Master. Ou, mais ainda, se tivesse sociedade num resort de luxo com máquina caça níquel. Mas os ministros do STF não se consideram normais, se sentem blindados, como se existisse um muro cercando o prédio. E depois de oito horas de sessão e graça à um pedido de visto, não houve consenso.
Se previa tensão, troca de farpas e até discussões mais acaloradas. Mas não foi o que se viu, principalmente no embate entre André Mendonça e Gilmar Mendes. O ministro Gilmar acusou Mendonça de agir com interesses eleitorais. Foi além, fez uma comparação com a lógica na máfia. “Até a máfia tem ética” disse Gilmar. Mendonça respondeu dizendo “não aponte o dedo em minha direção”. Luiz Fux, por sua vez,defendeu o afastamento do diretor da PF e disse que existe uma força paralela. A sessão também expôs um Judiciário dividido.
Atualmente, o STF tem 10 ministros. Normalmente são 11, mas a cadeira de Luís Roberto Barroso ainda não está ocupada.
O circo que vimos ontem mostra um STF dividido e político. Mostrou também uma Corte conivente. Nada justifica a presença de Alexandre de Moraes na sessão de ontem. O STF fez sessão justamente para analisar se abriria ou não investigação contra ele. Por que o alvo pro processo teve o acesso permitido na sessão? E mais, até comentou e votou! Se tivesse moral, com certeza não estaria presente. Igualmente inexplicável foi a presença do chefe do Ministério Público Federal na sessão de ontem. Paulo Gonet é um dos tantos citados na investigação como sendo próximo de Vorcaro. Logo, deveria se ausentar. Moralmente, ele não deveria estar presente. Legalmente, ele poderia ter nomeado outra pessoa para estar ali. Mas Gonet preferiu estar presente e envergonhar o MPF.



