O eleitor brasileiro tem uma vocação incrível para esquecer do histórico de alguns políticos. O caso mais marcante é o de Collor. Ele foi alvo de impeachment por corrupção quando exerceu a presidência . Em 2007, os eleitores de Alagoas o elegeram senador. Ele permaneceu no cargo até 2023. Dois anos depois, foi preso por corrupção. Existem outros exemplos de personagens políticos que são imortais, Eduardo Cunha, Valdemar da Costa Neto e Carlos Lupi. Lupi foi demitido do cargo de Ministério do Trabalho acusado de corrupção. No ano passado, ele era ministro da Previdência quando estourou o escândalo do INSS. Foi um dos primeiros a ser demitido, suspeito de envolvimento no gople. Mas os casos mais atuais são de Eduardo Cunha e Valdemar da Costa Neto. Se tivessem vergonha, por mínima que fosse, eles nunca mais iriam voltar à política. Cunha foi preso por corrupção na Lava Jato. A ficha corrida de Valdemar é parecida. O presidente do PL foi condenado nas investigações do Mensalão. Diretores da empresa UTC afirmaram em delação premiada que fizeram repasses de dinheiro a ele como forma de manter boa relação com o PL, que na época comandava o Ministério dos Transportes. Neste ano, por conta de ter a maior bancada, o PL de Valdemar vai ter a maior fatia do Fundo Eleitoral, R$881 milhões. Quatorze anos depois da condenação, Valdemar tem a função de distribuir todo esse montante de dinheiro entre seus correligionários políticos e ainda temos que ouvi-lo nos programas de rádio e televisão como se fosse o paladino da ética e da moralidade. Mesmo assim e sem mandato, os dois faziam indicações para emendas parlamentares. A descoberta foi feita pela Polícia Federal. Cunha é investigado por ter indicado R$6 milhões e Valdemar R$119 milhões. Cunha quer voltar à Câmara, é candidato a deputado federal por Minas Gerais, para onde se transferiu e hoje é dono de rádios com programação evangélica. Deixou seu espólio político para a filha, Daniele Cunha, que também é candidata. A culpa é do sistema? Sim, é o sistema que permite a existência dos Highlanders, os imortais. Mas também dos eleitores com amnésia política que votam em corruptos.



