Post: SUS amplia vacinação contra doença pneumocócica para pessoas com 85 anos ou mais

Vacina pneumocócica 20-valente já está disponível para a população dessa faixa etária; estratégia busca ampliar a proteção contra pneumonia, meningite e sepse

O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a disponibilizar, nesta semana, a vacina pneumocócica 20-valente conjugada (VPC20) para pessoas com 85 anos ou mais. A medida amplia a proteção contra a doença pneumocócica, que pode provocar quadros graves, como pneumonia, meningite e sepse.

A vacina está disponível no SUS desde junho de 2026 para crianças menores de cinco anos e pessoas com condições especiais de saúde. Até o início de setembro, mais de 1 milhão de doses haviam sido aplicadas no país. Para a nova estratégia voltada à população idosa, cerca de 1 milhão de doses foram distribuídas aos estados.

A estimativa do Ministério da Saúde é de que 2,3 milhões de pessoas com 85 anos ou mais sejam elegíveis à vacinação. A recomendação é alcançar pelo menos 90% desse público.

Maior vulnerabilidade entre idosos

Pessoas com 85 anos ou mais estão entre os grupos mais vulneráveis a infecções respiratórias e suas complicações. Um dos fatores relacionados a esse risco é a imunossenescência, processo natural do envelhecimento que provoca mudanças na resposta do sistema imunológico e pode reduzir a capacidade do organismo de combater agentes infecciosos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica apresenta impacto significativo entre adultos a partir dos 60 anos, especialmente nas faixas etárias mais avançadas. A presença de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, também pode aumentar o risco de infecções e de evolução para quadros graves.

Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), citados pelo Ministério da Saúde, apontam que a taxa de hospitalização por pneumonia de todas as etiologias entre pessoas com 80 anos ou mais foi de 3.097,7 por 100 mil habitantes em 2024 e de 2.902,7 em 2025.

No mesmo período, dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) indicam que, entre pessoas com 85 anos ou mais, a taxa de mortalidade por pneumonia foi de 758,1 óbitos por 100 mil habitantes em 2024 e de 743,1 em 2025.

A doença pneumocócica é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo. A infecção pode provocar pneumonia, meningite, sepse e otite média. Em idosos, principalmente naqueles com outras doenças, a infecção pode agravar condições preexistentes e aumentar o risco de hospitalização.

“Quando falamos de pessoas com 85 anos ou mais, estamos falando de uma população que apresenta uma vulnerabilidade maior às infecções respiratórias. Isso acontece não apenas pela idade em si, mas pelas mudanças na resposta imunológica e pela maior frequência de comorbidades. Por isso, a vacinação é uma medida crucial para prevenir e evitar uma sequência de eventos indesejáveis”, afirma a diretora médica da Pfizer Brasil, Adriana Ribeiro.

Vacinação ao longo da vida

O aumento da expectativa de vida também reforça a importância da vacinação como parte dos cuidados de saúde durante o envelhecimento. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), até 2030, as Américas terão mais pessoas com 60 anos ou mais do que menores de 15 anos.

Além de contribuir para a prevenção individual, a vacinação pode ajudar a reduzir hospitalizações, mortes e a sobrecarga dos serviços de saúde.

“A prevenção de doenças infecciosas não deve ser pensada apenas em momentos de maior risco ou diante de surtos. Ela precisa fazer parte da rotina de cuidado em saúde, com avaliação do histórico vacinal e das necessidades de cada pessoa ao longo da vida. No caso dos idosos, essa conversa é ainda mais importante, porque a vacinação pode ajudar a reduzir complicações e preservar autonomia e qualidade de vida”, destaca a infectologista Rosana Richtmann.

Para pessoas com 85 anos ou mais, a recomendação do Ministério da Saúde é de dose única da VPC20, considerando o histórico vacinal de cada indivíduo. A orientação é manter a carteira de vacinação atualizada e buscar uma unidade de saúde ou profissional da área para verificar as vacinas indicadas para cada caso.

 

Foto: Magnific

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